Carta aos amigos do Grupo Escoteiro Visconde de Mauá

Carta aos amigos

Tentarei ser o mais breve possível, mas desde já peço desculpas se, mesmo tentando, não o conseguir.

Do fim da 2ª Grande Guerra para cá, muito se tem falado frequentemente em Goebbels como o pai da máxima: UMA MENTIRA REPETIDA MIL VEZES TORNA-SE VERDADE”. Não são necessárias mil vezes, desde que habilmente ditas como verídicas no momento oportuno.

Vou dar minha versão aos fatos sobre os acontecimentos dentro do projeto de formação do GRUPO ESCOTEIRO VISCONDE DE MAUÁ em Magé.

Digo minha versão por motivo óbvio, uma vez que várias versões apareceram em outros locais da internet, todas usando espaço com o nome acima; são versões fantasiosas, cujo recheio não é mais do que inverdades; ou: as verdades de goebbels !!!

Assim, isto posto, vejo chegada a hora de trazer a público minha versão, repito, por ser a expressão da verdade dos fatos, sem fantasias, sem o uso de subterfúgios próprios daqueles que se camuflam na inverdade para esconder ato espúrio: a traição.

A tentativa de fundar um Grupo Escoteiro em Guia de Pacobaíba, 5º Distrito de Magé, deu-se por sugestão do jornalista Carlos Meritello, já ao fim de 2006, na opinião dele fazia falta à juventude mageense algo além, muito além dos “fliperamas”. A primeira reunião sobre este assunto aconteceu no ateliê de uma artista plástica residente nesta região.

Na 1ª edição do jornal BATEPAPO de 2007 lá estava a chamada para o público-alvo; a juventude!

Assuntos vários inviabilizaram o prosseguimento da ideia.

Seis anos depois, em outubro de 2013, recebi novo convite para a fundação de um Grupo Escoteiro, por parte de um companheiro de serviço, Sr. Paulo Alexandre. Após uma conversa onde expus minhas ideias sobre o assunto, onde as responsabilidades individuais foram expostas, encaminhamos à UEB – União dos Escoteiros do Brasil, oficio datado de 05 de novembro de 2013, e protocolado nesse mesmo dias, conforme cópia autenticada pela UEB que se encontra em meu poder, bem como todas as outras cópias onde existem as autenticações protocolares da UEB.

A receptividade da UEB foi imediata, tanto que duas semanas depois, a 19 de novembro, recebemos a visita do Sr. Ivan Cardiano, Chefe do 100º GE/RJ, sediado em Teresópolis RJ, para a 1ª palestra aos adultos que compunham a (chamemos assim) Comissão Fundadora.

O nome do Grupo Escoteiro, por minha indicação e aprovação unânime dos membros da comissão foi GRUPO ESCOTEIRO VISCONDE DE MAUÁ, numa justa homenagem ao maior e mais importante Empreendedor Individual do Brasil, conforme autorização específica expedida pelo Chanceler do Memorial Visconde de Mauá, Professor Eduardo André Chaves Nedehf – Marquês de Viana, e sua mãe, a Senhora Francisca Chaves Nedehf – Marquesa de Viana, respectivamente tetraneto e trineta dos Viscondes de Mauá, datada de 26 de novembro de 2013, a quem muito agradecemos.

Tal foi o sucesso da proposta que no dia 08 de dezembro de 2013, aconteceu a segunda fase para a fundação do NOSSO Grupo Escoteiro, denominado “Um Dia de Escoteiro”, nas instalações da Estrada de Ferro Mauá, a 1ª do Brasil, à Estrada Real de Mauá nº 1901, sob a “batuta” daquele que se tornou nosso amigo e conselheiro Chefe Ivan Cardiano, foi um sucesso, em todos os sentidos.

Desde o inicio que demos andamento ao trabalho de fundação em forma de reuniões, acontecidas na residência de uma família amiga que abraçou a causa, à Praia do Anil, onde vários fatores foram analisados. Convêm que se registre que todas as ações e decisões que tomei foram norteadas pelos regulamentos da UEB e orientação do Chefe Isaac Pinheiro Waquim, da Administração Regional da UEB/RJ.

Dando prosseguimento aos trabalhos, reunimo-nos no mesmo local – que prefiro, por motivos de respeito, não mencionar aqui – para a realização da Assembleia de Fundação do GRUPO ESCOTEIRO VISCONDE DE MAUÁ, no dia 24 de janeiro de 2014, quando foi eleita a Diretoria e cuja Ata se encontra arquivada na UEB/RJ e a cópia em nosso poder, autenticada no protocolo da UEB/RJ, no dia 29 de janeiro de 2014.

Nesta ocasião propus, e foi aceite por todos, que as inscrições de candidatos a Escoteiros e Lobinhos só se dessem após o período carnavalesco, e assim foi feito.

Torna-se indispensável o registro da presença do Sr. Nilvan Coutinho e esposa, Srª. Anna, em reunião das já citadas, foi interessante ouvir o Sr. Nilvam dizer ser sub-oficial dos Fuzileiros Navais e que gostaria de “poder fazer pela juventude brasileira o que fizera no Haiti, onde estivera em missão”, o que muito nos agradou, seria alguém com experiência profissional no trato de assuntos onde juventude seria ponto alto.

Entretanto no período que antecedeu o ato de inscrições, algumas das pessoas que compuseram o grupo fundador abandonaram os trabalhos. Sei que o acontecido se deu por motivos de interesses não atendidos por mim, afinal não poderia misturar as duas coisas; Escotismo e atos outros alheios ao escotismo, deixando sempre claro que minha obediência aos Princípios de Baden-Powell, ao POR – Princípios Organização e Regras, assim como ao Estatuto da UEB, desde os tempo de meu ingresso na instituição, lá pelo ano de 1976.

Assim, nossa primeira atividade em público aconteceu em 26 de abril de 2014, aquando da festa de comemoração do 160º aniversário da inauguração da Estrada de Ferro Mauá, a 1ªdo Brasil, lá no pier Mauá, Estação de Guia de Pacobaíba, onde classificamos como sucesso, nosso primeiro grupo de jovens foi apresentado ao Professor Eduardo Nedehf e a Senhora Dona Francisca, a quem muito agradecemos a honra de sua autorização, já acima mencionada. O Sr. Nilvan, sua esposa Srª. Anna e filha, inscrita como candidata a escoteira, estiveram presentes, de forma rápida, alegando outros compromissos.

Algumas outras mães e seus filhos(as) inscritos(as), ficaram mais tempo, por motivos profissionais e das atividades Escotistas, tive de desdobrar-me em atendimento aos convidados. Em nenhum momento rebaixando-me ao ato de “puxa-saquismo politico”, ato que por mim nunca foi executado, mas já fui acusado. Confundem, certas pessoas, a ação protocolar com outra coisa, no decorrer de minha vida, e quem me conhece sabe disso, nunca exerci tal atividade; subserviência política, conhecida como “puxa-saco”. Sobre o ocorrido que gerou este assunto falaremos adiante.

Desse dia para a frente passamos a realizar nossas primeiras reuniões naquela área, por pouco tempo visto que ao fim de março estávamos impedidos de o fazer por vários motivos. Assim, e graças à autorização do titular da Secretaria de Esportes, Turismo, Lazer e Terceira Idade, passamos a nos reunir, em caráter provisório no Poliesportivo Waldir Teophilo, à Praça da Guia, em caráter provisório. Aproveito a ocasião para registrar meu profundo e respeitoso agradecimento ao Senhor Leandro Rodrigues que, desde o 1º minuto desta caminhada nos deu apoio total, desde o inicio sem nenhuma troca de favores políticos entremeando nosso relacionamento.

Desde as primeiras atividades de adestramento, tivemos o auxílio do Sr. Nilvan e de sua esposa, Sr.ª Anna, logo nos apercebemos suas tendências de aplicação de atos, usos e costumes do linguajar militar no escotismo, o que por regulamentos é vedado mas … resolvi ir “podando” essa atitude lentamente, para não criar atrito e na certeza de que a caminhada estava só se iniciando e poderíamos acertar tais ato, lenta e gradualmente fui falando sobre o assunto, inclusive emprestando-lhe dois livros escoteiros, para que se fosse adaptando. Aqui registramos três exemplos: no escotismo as patrulhas são dirigidas por monitores, não por CHERIFES!!!, não usamos como punição a pratica de flexões para casos (por ex) erro no aplicar um nó nem usamos roupas ou instrumento privativos das Forças Armadas ou similares, o que é terminantemente vedado pelo POR.

Por infelicidade a minha, no dia 05 de junho de 2014 sofri uma queda no meu ambiente de trabalho, fraturando o 5º metatarso do pé esquerdo, levando-me a ficar ausente das atividades por 15 dias. Mesmo não sendo de interesse alheio devo dar uma rápida mostra do desmembramento do acidente. O tratamento recebido – bota de gesso – foi um erro profissional do médico que me atendeu no Hospital de Saracuruna, as chapas de RX em meu poder tiram quaisquer dúvidas, assim ainda nesta data, em que redijo esta carta, encontro-me numa interminável fila, aguardando uma cirurgia ortopédica para corrigir não só a fratura mas o erro médico, o que me obriga ao uso de bota ortopédica, causando-me embaraços e correndo o risco de amputação de meu, visto que o fator de ser diabético a isso pode levar-me, já se passaram mais de 5 meses em que estou com esse osso quebrado dentro de meu pé, ao descaso do serviço médico do SUS !

Mas, voltemos ao meu calvário.

Notamos, eu, Chefe do Grupo (Diretor Técnico) e minha esposa Filomena, a Akelá do Grupo que só haviam jovens que pertenciam ao credo Espírita, sendo que todos os jovens pertencia à entidade dirigida pelo Sr. Nilvan e esposa, vez por outra apareciam outros jovens de outros credos mas … não permaneciam.

O clamor por paciência e tempo para me curar, dava diapasão na minha conduta. Várias foram as atitudes d’algumas pessoas (mães de escoteiros(as) e lobinhos(as), que nos preocupavam, entre essas atitudes eram criticas contra a Diretoria; principalmente a Presidente. Mesmo dizendo-lhes que sendo a Diretoria composta por três membros, e que desses três membros dois estavam SEMPRE presentes; eu, Diretor Técnico e minha esposa Filomena, Diretora Financeira (eleita democraticamente e, principalmente pela falta de outra pessoa que quisesse assumir tal função), que o Conselho Fiscal, também três componentes, se fazia presente pela constante presença do Dr. Pedro, pai de um dos nossos escoteiros e da Senhora Isabel, dentro de suas possibilidades profissionais e familiares, de nada adiantava ou apaziguava. Como até então nunca se cobrara mensalidades, resolvi por em prática tal atividades, convidando a uma mães de uma escoteira e de um lobinho para tal missão, até pelo fator de ser ela a que mais insuflava entre as demais mães tal queixume, aceitou o convite, passando a arrecadar as mensalidades, tivemos algum tempo de paz mas … foi só por pouco tempo!!!

Tempo, eu pedia tempo e paciência.

Chegou o momento por mim tão almejado, o Curso Pré-liminar para escotistas, realizado no 7º Distrito Escoteiro, São João de Meriti, dias 23 e 24 de agosto/2014. Presentes: eu, a Diretora Financeira e Akelá Filomena, o Conselheiro Dr. Pedro e o Sr. Nilvan.

A esperança era de que o Sr. Nilvan pudesse absorver ensinamentos que nos proporcionassem um bom relacionamento, abandonando, principalmente, suas tendências de dar ênfase ao sistema “militarizante” de nossas atividades.

Foram dois dias muito produtivos, logo no primeiro dia um dos formadores teve de advertir o Sr. Nilvam de que deveria abster-se do uso de vestuário militar nas atividades escoteiras visto que trajava; desculpou-se dizendo que aquelas calças eram dos militares dos Estados Unidos, mas o formador em questão disse-lhe que era o mesmo, e deu informações sobre o assunto, falando do POR.

Infelizmente para mim não foram rosas esses dois dias, mais espinhos que rosas. As dores que sentia no meu pé levaram-me a tomar analgésico e … bem, uma pessoa sob efeito de analgésico não acompanha a totalidade dos acontecimentos mas, graças ao amparo de minha Esposa e do Conselheiro Dr. Pedro, consegui terminar o evento em contento, mesmo tendo passado por alguns instantes de sonolência, logo chamado à razão por Filomena, afinal não convinha dar parecença de desrespeito aos nossos formadores.

O Final, ao segundo dia, foi bonito, cada um dos presentes disse ao que ali foi, alguns recheados de profunda emoção.

Na vez do Sr. Nilvan, ele espraiou toda a sua emoção da oportunidade dali estar; finalizou com palavras de elogio e gratidão a este Velho Chefe Henrique. Foi emocionante, a meu lado uma chefe das presentes aconchegou-me a uma cadeira, temia que eu caísse, tal a emoção que me causara as palavras do Sr. Nilvan!!! Mal sabia ela, e os demais, que acrescia-se o fato de estar sob efeitos de analgésico (DIPIRONA – 40 gotas).

Durante o retorno a casa o Sr. Nilvan deu inicio a uma conversa; transformar o Grupo Escoteiro Visconde de Mauá em Grupo do Mar!!! disse, inclusive, que já tinha mantido contato com uma chefe de GE do Mar e que receberia ajuda!!! Não pude aceitar a ideia sem maiores cuidados, a saber; 1º)- é uma atividade de alto custo, a resposta do Sr. Nilvan foi que a Marinha do Brasil tinha verbas sociais e que poderíamos ter acesso a elas, sendo até mais fácil para ele!!! Confesso que não me agrada verbas oficiais, vez por outra temos escândalos por causa dessa situação!!! 2º)- dias antes deste acontecimento o Sr. Nilvan dissera-me que em janeiro de 2015 talvez fosse para o LIBANO, em missão de paz; PERGUNTO: (logo não ofendo) se o único que tinha condições de operar um Grupo Escoteiro do Mar ficasse ausente como se dariam as atividades?? Com “convidados especiais”?

No retorno das atividades pensei que tivéssemos uma trégua nas diligencias para depor a Diretoria (?), que nada, mesmo disfarçadamente o assunto continuava, a intenção era renovar a Diretoria com outros membros, todos do grupo religioso dirigido pelo Sr. Nilvam.

No sábado 20 de setembro de 2014, levamos a efeito a comemoração do Dia da Árvore com o plantio de mudas de árvores nativas de nossa região, à beira do canal no bairro Ypiranga, na Av. Do Canal, próximo ao Poliesportivo onde nos reuníamos, tais mudas foram providenciadas por nossa Conselheira Sr.ª Isabel, junto à Secretaria do Meio Ambiente de Magé, o que muito agradecemos ao titular da Secretaria. Como se pode ver em variadas fotos, o Sr. Nilvan, mais uma vez, desrespeitou as regras e apresentou-se (como sempre) com vestimenta camuflada (camiseta), o que já contaminava os meninos, um deles, lobinho, apresentou com camiseta e calça camuflada. O abuso do Sr. Nilvan neste sentido sempre foi uma constante no desrespeito à Regra 49 do POR: Dentro ou fora da sede, quando em atividade, os membros do Movimento Escoteiro usarão vestuário, uniforme escoteiro ou traje social, dentro das opções previstas neste POR, sendo expressamente proibido o uso de qualquer peça de uniforme ou equipamento de uso privativo das Forças Armadas ou com estas características, acatando a determinação expressa na Constituição Federal, no Inciso I de seu art. 142.

Mas, a baixaria ética deu seu ar de presença. A nossa Conselheira Isabel, pessoa cuja ação em prol do Grupo Escoteiro Visconde de Mauá é notória, embora sem alarde nem “fanfarras”, apareceu para participar e fotografar o evento; quase tivemos um espetáculo deprimente pois logo foi criado um clima de animosidade por parte de duas senhoras do grupo, tive de conter a triste situação, temperando os ânimos. Infelizmente mal      sabia que tudo não passava de um plano em andamento: “desestruturar para vontades alcançar”.

E lá fomos nós, guiados pelo desejo de conduzir as coisas da melhor forma, no sábado 04 de outubro, sábado, realizamos o 1º Fogo de Conselho, um preparativo para as promessas. Mais uma vez o Sr. Nilvan quebrou as regras; para meu desespero, quebrou a Regra POR 140 / XI – Não é permitido o uso de pólvora, fogos de artifício e materiais semelhantes em qualquer tipo de atividade escoteira.

A fogueira foi acesa com mecha de pólvora e o encerramento teve dois pontos de fogo de artificio, bem junto à fogueira!!!

No encerramento da atividade, recebi uma importância em dinheiro para compras na Loja Escoteira / RJ, o que realizei no dia 07, em companhia do Conselheiro Dr. Pedro.

Foi minha última ação como Diretor Técnico do 58º GE/RJ.

Desenrolava-se uma situação familiar difícil, minha esposa precisava viajar para atender chamado de família, pedi ao Sr. Nilvan que se fosse à minha casa para o por a par da situação e mostrar-lhe o material adquirido.

Ele lá esteve acompanhado pela esposa, Sr.ª Ana e filha. A coisa em minutos descambou para o lado da contestação, mesmo sabendo da situação familiar difícil. Acabei por proferir palavra inapropriada, embora sendo de uso diário e constante por adultos e jovens. Foi o mote para despoletar o “tiro de misericórdia”.

Uma chamada, no facebook do grupo dirigido pelo Sr. Nilvan, para uma reunião, o assunto era uma nova diretoria: percebe-se logo na leitura da convocação.

A dor causada por tanta ação desconforme do propósito Escoteiro, a agonia pelo sofrimento em família e a necessidade de preservar aqueles que me acompanhavam desde o inicio de uma “cassação de Mandato” espúria, levou-me à renúncia, e a de minha esposa, cansados que estávamos de tanta estratégia negativista.

Pedi auxílio à UEB/RJ para solucionar a crise, uma reunião foi agendada pelo Sr. Ivan Bordallo Gerente de Ações da UEB.

Foi realmente um espetáculo deprimente, presentes a Presidente da Diretoria, eu e minha esposa, o Conselheiro Dr. Pedro, o Sr. Nilvan e o Sr. Ivan Bordalo. Os trabalhos foram abertos pelo Sr. Ivan Bordallo, que nos separou em dois grupos, tivemos de desenhar, por três ocasiões, um pavão, por fundo musical a musica Pavão Misterioso de uma novela, tivemos de dizer o que sentíamos ao desenhar um pavão misterioso !!! Fiquei pasmado quando ao termino deste espetáculo o Sr. Ivan Bordallo reclamou que esquecemos de desenhar o penacho nos desenhos de Pavão Misterioso !!!

Depois sentamo-nos e o Sr. Ivan Bordallo deu início a uma preleção, onde falou de suas caminhadas em dia de muita chuva e consequente lamaçal no caminho, de uma atividade com seu filho etc.

Conheço o sistema, esse tipo de mediação é feito quando dois ou mais jovens estão em crise de convivência dentro do Grupo, não se aplica a uma situação muito seria de adultos !!!

O Conselheiro Dr. Paulo, já insatisfeito com o rumo da situação disse estar se retirando, não via nenhuma ação positiva, acompanhei-o até à porta e nos despedimos. Ao retornar fui recepcionado por riso de escárnio do Sr. Nilvan, parecia já contar “dito e feito” seu propósito. Esta atitude desrespeitosa desencadeou uma situação incontrolável, uma aflição centrada à região peitoral levou-me a pensar estar em andamento um enfarto, tentando aproveitar os momentos de lucidez que pensava estar chegando ao fim, explodi meu descontentamento, tanto pelo ato vil quanto pela forma de atuar em situação tão critica do Sr. Ivan Bordallo.

Saí da sala, acabei no serviço médico, nada mais era do que uma súbita elevação de pressão arterial, fui medicado e posto em oxigénio.

Tive de escolher entre minha saúde, minha vida, minha honra tão ultrajada e minha família que sofria, e ainda sofre uma dor de perda.

Fui chamado de louco; serei mesmo um louco??? Claro que não, atitudes drásticas na defesa de direitos e opiniões não são novidades;

 

“João Cap 2º V15. Então (Jesus) fez um chicote de cordas e expulsou todos do Templo junto com as ovelhas e os bois; esparramou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas”. Terá Jesus enlouquecido?

 

Até mesmo Moisés se revoltou quando viu seu povo adorando um beserro de ouro, lançando sobre os impios as tábuas da Lei:

 

“Êxodo 32:17 Ouvindo Josué a voz do povo que gritava, disse a Moisés: Há alarido de guerra no arraial. Êxodo 32:18 Respondeu-lhe Moisés: Não é alarido dos vencedores nem alarido dos vencidos, mas alarido dos que cantam é o que ouço. Êxodo 32:19 Logo que se aproximou do arraial, viu ele o bezerro e as danças; então, acendendo-se-lhe a ira, arrojou das mãos as tábuas e quebrou-as ao pé do monte; Êxodo 32:20 e, pegando no bezerro que tinham feito, queimou-o, e o reduziu a pó, que espalhou sobre a água, e deu de beber aos filhos de Israel”.

Será então que se pode afirmar que Moises era louco?

 

Mais, poder-se-á dizer que Deus terá dado demonstarção de loucura quando:

 

“Lucas registra um discurso de Jesus sobre o julgamento de Deus (Lucas 17:20-37). Jesus usou alguns exemplos do passado para nos lembrar que o julgamento de Deus vem repentinamente e, às vezes, sem aviso (Noé – 17:26-27; Sodoma – 17:28-29). Ao mesmo tempo, ele cita a dificuldade de abrir mão das coisas desta vida (17:27,28). Logo depois, ele inclui uma linha que chama a nossa atenção: “Lembrai-vos da mulher de Ló” (17:32)”

que foi tranformada em estatua de sal.

 

 

Pelo facebook fui chamado de caloteiro, de desonesto, de irresponsável e de louco, por gente que não sabia o que dizia, nem ao menos quem sugeriu que deveria ser interditado possui habilitação médica para tal diagnóstico. Na certa quer este lastimável episódio ainda terá mais uns tantos capítulos, espero ter saúde para suportar as “punhaladas pelas costas que ainda virão.

Chamaram-me de LOUCO, no dizer de Moacir Franco em um de seus poemas ser “LOUCO é ser inteligente”. Numa luta pela preservação de minha Honra, estarei SEMPRE ALERTA, bendizendo minha “loucura” por minha capacidade de lutar por meu sonhos e ideais.

Magé, 10 de dezembro de 2014

Henrique Luiz

Chefe Açor

 

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Escoteiro Caio Viana Martins

BIOGRAFIA do Escoteiro Caio Viana Martins (Matozinhos, 13 de julho de 1923 — Barbacena, 20 de dezembro de 1938) foi um escoteiro brasileiro, tido como exemplo para todo o movimento escoteiro do Brasil – Caio era um menino comum ao seu tempo, mudou-se para Belo Horizonte com a família aos oito anos, onde passou a estudar no Grupo Escolar Barão do Rio Branco até o 4º ano primário. Ingressou no Movimento Escoteiro aos catorze anos, ao iniciar seus estudos em outra escola, o Colégio Arnaldo e Afonso Arinos, que patrocinava, na época, o Grupo Escoteiro Afonso Arinos. No dia 18 de dezembro de 1938 o grupo organizou uma excursão de trem a São Paulo com 25 membros. Os escoteiros viajavam no vagão da primeira classe do trem noturno da Central do Brasil, que possuía no total 11 vagões, quando, por volta das 2 horas da madrugada do dia 19 de dezembro, este se chocou com um trem cargueiro que vinha em sentido contrário, provocando um terrível desastre no qual morreram cerca de 40 pessoas. Caio, na época, monitor da Patrulha Lobo, recebeu uma forte pancada na região lombar durante o choque, o que mais tarde revelou-se mortal, mas mesmo assim persistiu em ajudar os outros escoteiros que se reuniram para decidir a melhor maneira de agir. O primeiro passo foi a procura dos membros que não haviam sido encontrados até o momento, o lobinho Hélio Marcos de Almeida Santos e o escoteiro Gerson Hissa Satuf, encontrados já mortos. Os escoteiros continuaram prestando os primeiros socorros a todos os feridos e fazendo uma grande fogueira para auxiliar as buscas e o trabalho de salvamento. Para isso, utilizaram todo material que tinham disponível, os colchões, cobertores e lençóis dos vagões-leito, confeccionando macas e abrigo para as pessoas mais feridas. O acidente, que ocorreu entre as estações de Sítio e João Aires, próximo à cidade de Barbacena, só recebeu socorros às 7 horas da manhã do dia 19. A equipe de socorro transportou os passageiros feridos, inclusive alguns escoteiros, para um hospital em Barbacena. Como não havia macas para todos, e ao ver ao redor dele pessoas mais necessitadas, Caio Viana Martins recusou ser levado de maca, dizendo: “Um Escoteiro caminha com as próprias pernas”. Foi andando, junto a seus amigos, até a cidade, mas, ao chegar ao hotel, sentiu-se mal e foi levado à Santa Casa, onde veio a falecer, por conta do rompimento de vísceras e um grave derrame interno. Caio Viana Martins foi sepultado no mesmo dia, no cemitério de Bonfim, na Zona Norte de Belo Horizonte, junto ao lobinho Hélio e ao escoteiro Gérson.

Homenagens: Pela sua coragem, Caio foi reconhecido como um exemplo a ser seguido, sendo posteriormente homenageado de diversas formas:

O estádio de futebol de Niterói foi chamado Estádio Caio Martins em homenagem ao jovem escoteiro;

Em Juiz de Fora, foi-lhe erguido um monumento no parque central da cidade (Parque Halfeld). A estátua foi doada pelo Grupo Escoteiro Caio com o apoio do Instituto Granbery;

Vários grupos escoteiros em todo o país receberam seu nome

FONTE=wikepedia                                                                                                                          Arquivo do GRUPO ESCOTEIRO VISCONDE DE MAUÁ

Guia de Pacobaíba – 5º Distrito de Magé RJ

Henrique Alberto Silveira Luiz

Chefe Açor Diretor Presidente

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Ao Mestre com carinho

Ao meu Mestre com carinho.

Quando assumi a Chefia do 35º GE/RJ – Grupo Escoteiro João XXIII em Petrópolis (1976) tive por Mestre de Chefia Escoteira (que atualmente tem outra denominação) o Comissário Nacional de Escoteiros do Ar o Senhor Guy Elvyn Burrowes (Londres, Inglaterra, 1908 – Petrópolis, Rio de Janeiro, Brasil, 1987) foi um dos precursores do escotismo no Brasil, em especial da modalidade do ar. Ingressou no escotismo em 14 de abril de 1918, tendo ocupado uma série de postos (promessa feita no dia 14 de abril de 1918 na “Union Church Boy Scout”). Em 18 de março de 1923, passou a ser Monitor no “1st Rio Baden-Powell Troop”. Em 31 de março 1926 passou a ser guia no “1st Rio Baden-Powell Troop”. A partir de 1 de maio de 1926, passou a ser Chefe de Tropa no “1st Rio Baden-Powell Troop”. Em 30 de junho de 1933, passou a ser Chefe de Grupo do “1 st Rio Baden-Powell Troop” (naquele tempo Chefe Geral). No dia 31 de dezembro de 1937, recebeu a medalha de mérito da Boy Scout Association de Londres por recomendação da União de Escoteiros do Brasil. Durante a Segunda Guerra, serviu como oficial de ligação, no Rio de Janeiro, para os “Deep Sea Scouts” (Escoteiros de Alto Mar) da Boy Scout Association de Londres, prestando serviço aos escoteiros “Deep Sea Scouts” da Marinha Real Britânica, durante a estadia dos navios da esquadra do Atlântico Sul. Este serviço durou a Segunda Guerra toda e teve caráter primordialmente assistencial, atendendo escoteiros ingleses que serviam a bordo dos navios, quando no porto do Rio de Janeiro aportavam. Até 28 de outubro de 1942, o Grupo Rio Baden-Powell Troop era uma instituição inglesa filiada a Boy Scout Association de Londres, porém nesta data nacionalizou-se e se filiou ao departamento do Ar da União de Escoteiros do Brasil, trocando seu nome para “Associação de Escoteiros do Ar Baden-Powell”. Esta filiação foi realizada depois de longas e complicadas negociações entre o Major Godofredo Vidal e Guy Elvyn Burrowes que muito lutou para que o grupo não fosse fechado devido a edição de decreto pelo então Presidente Getúlio Vargas proibindo entidades estrangeiras no Brasil. Foi Comissário Técnico na Federação dos Escoteiros do Ar. Principal responsável pela pacificação pela qual a Federação Brasileira dos Escoteiros do Ar voltou à União dos Escoteiros do Brasil, consolidando assim um movimento unificado dos escoteiros do Brasil. Como último cargo foi nomeado Comissário Nacional dos Escoteiros do Ar, na União dos Escoteiros do Brasil. Possuiu as medalhas Tapir de Prata, medalha de ouro por bons serviços e a Medalha Tiradentes, sendo esta última conferida em 1961.

FONTE= wikepedia

Arquivo do GRUPO ESCOTEIRO VISCONDE DE MAUÁ

Guia de Pacobaíba – 5º Distrito de Magé RJ

Henrique Alberto Silveira Luiz

Chefe Açor Diretor Presidente

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Síndrome Cubana, o mal que assola Brasil

A situação política do Brasil pode ser cognominada de “SÍNDROME CUBANA”, e teve início logo após a inauguração de Brasília pelo Presidente JK, no firmamento brasileiro, só uma estrela brilhava, e era a de JK.

Antes de prosseguir neste levantamento de memórias e recortes de jornais e revistas que possuo, convêm, a bem da lisura profissional lembrar que estou usando uma crônica de Murilo Melo Filho, membro da Academia Brasileira de letras, publicada no JB, a 23 de agosto de 2006, que relatou a viagem de Jânio quadros a Cuba, para o “beija-pé” dos Castro’s, ato de submissão a que se acostumaram certos políticos brasileiros. Continuemos:

“Aí os lideres janistas articularam uma viagem de Jânio a Cuba, já sob o governo de Fidel, para ressuscitar sua candidatura, então esvaziada. Num Super-Constellation, fretado à Varig e pilotado pelo Comandante Antônio Chittini, saímos do Rio para Havana, com um perigoso pouso em Fortaleza: Adauto Cardoso, Afonso Arinos, Castilho Cabral, Augusto Marzagão, José Aparecido de Oliveira, Carlos Castelo Branco, Vilas-Bôas Corrêa, Fernando Sabino, Marcio Moreira Alves, Helio Fernandes, Amaral Neto, Paulo de Tarso, João Dantas, Moniz Bandeira, Rubem Braga, Seixas Dória, Julião, Carlão Mesquita, Jânio, D. Eloá, Tutu e eu.(Murilo Melo Filho)

A bordo, bebeu-se tanto uísque que um dos companheiros desceu em Havana em coma alcoólico, recuperando-se depois num hospital.

Fidel nos esperava no aeroporto, com um conjunto de mariaches e suas rumbas. E nos explicou, quando entramos no Hotel Habana Riviera; – confisquei-o. Pertencia ao mafioso Meyer Lanski, que devia muito dinheiro ao povo de Cuba.

Ali ficamos uma semana, durante a qual um grupo de companheiros, inclusive eu, (Murilo Melo Filho) fizemos uma extenuante viagem de três dias s Sierra Maestra, onde começara a revolução contra Fulgencio Batista e onde nos contaram comoventes histórias sobre o heroísmo dos revolucionários.

Na véspera da nossa volta de Havana, o embaixador Vasco Leitão da Cunha ofereceu-nos uma recepção na Embaixada brasileira. Fidel, que descera de Sierra Maestra para ir a essa recepção, deu por falta do seu revólver, surrupiado de cima de um móvel no qual o deixara.

Esse revólver, com cabo de madrepérola, era de muita estimação para Fidel. Fora-lhe presenteado pelo ministro soviético Anastas Mikoyan, mas se viu ‘transferido’ para aas mãos de um brasileiro colecionador de souvenires. Eu (Murilo Melo Filho) sei quem foi ele, porque o vi esconder a arma na cintura, embaixo do paletó. Mas, se enquanto viveu, jamais revelei seu nome, muito menos o revelaria agora, quando já está morto.

A segurança fez uma rigorosa varredura nas dependências da embaixada, mas encontrou apenas a cartucheira. O revólver não. Fidel não disfarçou seu desgosto por aquele sumiço e passou a narrar a Jânio a seguinte história: – Nós queríamos nacionalizar uma empreza ou um banco americano e o Dr. Manuel Urritia, que nós havíamos empossado na presidência, era contra. O senhor sabe o que eu fiz, Dr. Jânio? Eu renunciei ao meu posto de Primeiro-Ministro. Quando o povo soube da minha renúncia , veio para esta praça, aqui em frente, e acampou três dias e três noites, exigindo minha volta. Então voltei ao meu cargo, demiti o Dr. Urritia, mandei-o para Miami e o substituí pelo Dr. Oswaldo Dorticós.

(E continua o Murilo) Assistiram a essa conversa, do começo ao fim: Raul Roa, Che Guevara (aspirando uma bomba de asmático), Raul Castro e Dorticós, do lado cubano. E Adauto Cardoso, Afonso Arinos, Castilho Cabral, Amaral Neto e eu (Murilo Melo Filho), do lado brasileiro.

Na viagem de volta, com uma escala em Caracas, e sentado lá atrás, no último banco do avião, Jânio me chamou (a ele Murilo Melo Filho) para a cadeira ao lado, rodando uma dose de uísque puro entre as mãos, ed perguntou: – Você ouviu, Murilo, o que o primeiro-ministro Fidel Castro contou? Ele renunciou e o povo veio para a rua exigir a sua volta .

Eu (Murilo Melo Filho9 tenho hoje absoluta convicção de que aquele episódio narrado por Fidel em Havana ficou na cabeça de Jânio e contribuiu muito para que ele, um ano e três meses depois, renunciasse à Presidência da República, naquele dia 25 de agosto de 1960, portanto, há 46 anos (contagem de tempo desde o ocorrido até o dia da crônica ser publicada) que se ‘completaram esta semana’.

Tanto assim é que, já tendo renunciado e ao chegar a Cumbica, ido de Brasília, recebido no aeroporto pelos governadores Magalhães Pinto, Ney Braga e Aluizio Alves, Jânio perguntava dentro do avião, em altos brados: – e o povo? Onde está o povo que não veio me buscar?

Está é a minha tese (de Murilo Melo Filho9 para o dia em que Jânio renunciou.

Como vemos, Cuba já fez a cabeça de muito politico brasileiro e quando a coisa dá errada uns acusam as “forças oculta” outros seu estado a amnésia.

Queremos o Brasil livre desse tipo de influencia. Antes que viremos uma “ilha” cercada por todos os lados de corruptos aspirantes a ditadores.

Henrique Luiz, um eleitor.

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O Brasil é um País sério

Quer me parecer que nesta altura da vida política brasileira este artigo é atualíssimo, por isso aqui o registro.

Henrique Luiz – Magé 20 de agosto de 2014

Artigo do Embaixador Meira Penna (um Monarquista). VIVA A REPÚBLICA! Durante a campanha do Plebiscito, há pouco mais de dez anos, escrevi para uma revistinha do Movimento Parlamentarista Monárquico, Cara & Coroa, um artigo cujo argumento continua absolutamente atual. Desejo repeti-lo e atualizá-lo. Na época, os presidencialistas usaram de todos os métodos, lícitos e ilícitos, para combater nosso movimento, o que é típico dos métodos republicanos em nosso país. Uma alegação comum qualificava a monarquia de regime anacrônico, defasado e contrário ao desenvolvimento. É a primeira mentira. Japão, Grã-Bretanha, Países Baixos e os Escandinavos se colocam entre os de maior PIB per capita do planeta. Noruega e Luxemburgo gozam, aliás, de uma renda pessoal média anual de 36 mil dólares, a única acima da americana. A Espanha livrou-se do atraso, anarquia e conflitos internos, responsáveis pela mais sangrenta guerra civil do século, depois de se transformar em reino. Hoje, é o país que mais cresce na Europa. Na época do Império, nem um Napoleão III, uma rainha Victoria ou um Kaiser Guilherme I teria tido o topete de usar a nosso respeito a expressão que notabilizou De Gaulle. Éramos um país sério. Para demonstrar que há mais ridículo, atraso e desordem no regime adotado após o golpe militar de 15 de novembro, podemos lembrar uma das motivações reais do Proclamador – ele que jurara fidelidade ao Imperador e tudo ignorava do regime que implantou. Na confusão de intrigas e surpresas dessa journée des dupes – dia dos logrados – um dos ministros do Governo Provisório, Aristides Lobo, acentuou que o putsch “deixara o povo bestificado”. Bestificado certamente ficaria se soubesse um de seus pormenores. Deodoro da Fonseca era um conservador que detestava o líder liberal gaúcho Silveira Martins, escalado por Pedro II para ser o novo Primeiro-ministro no lugar do Visconde de Ouro Preto. A ciumeira entre os dois não era apenas ideológica. Tinha origem no comum apreço que ambos, na mocidade, haviam nutrido pela mesma mulher. Cherchez la femme! É o que a história sempre ensina. Talvez não fosse tanto o desgosto que, a um velho marechal reacionário, causava a subida ao poder de um político liberal, quanto o sentimento vingativo mais banal e humano em relação ao adversário que lhe roubara a namorada. Na época, pela boca alegre dos cariocas correu a quadrinha – que os leitores me desculparão de reproduzir não obstante seu conteúdo levemente obsceno:Papagaio come milho, Coruja bebe azeite, Mas a pomba da Adelaide Come carne, bebe leite e choca ovo… Penetrando nos bastidores – ou na alcova da história -, descobrimos que a pomba responsável pela discórdia da adolescência dos dois lideres chamava-se de fato Adelaide. Tinha então 34 anos. Era viúva, talvez alegre, e filha de um general, herói da Guerra do Paraguai. No entanto, a ciumeira afetou Deodoro tão gravemente que fez pender a balança para o lado de um número diminuto de conspiradores, quase todos positivistas, autoritários e capitaneados por Benjamim Constant Botelho de Magalhães – que não devemos confundir com o grande pensador liberal franco-suíço Benjamin Constant de Rebecque. De qualquer forma, sob esse patronato erótico foi o golpe militar desferido por uma clique mal intencionada, à revelia do próprio Proclamador. Aliás, depois do golpe que frustrou os propósitos de Pedro II, Deodoro mandou debandar a tropa formada diante do Quartel General, no campo de Santa´Ana, hoje Praça da República, e sabem o que gritou para os soldados em ordem unida? “Viva Sua Majestade o Imperador!”. Assim pacificamente, com uma única baixa, terminou a gloriosa jornada republicana. De tais ridículos episódios é feita grande parte da história de nossa idolatrada Pátria Amada, Idolatrada. Meu pai, que na época era menino e morava no Largo de São Salvador, gostava de correr atrás da carruagem de Dom Pedro II, gritando “Viva a República!”, quando Sua Majestade ia visitar a filha no que é hoje o Palácio Guanabara. Detrás de suas barbas patriarcais, o Imperador respondia, sorrindo para o pirralho atrevido… O Império de fato jamais fizera qualquer objeção à expressão do pensamento de seus adversários. O fato é que, no momento, só dois deputados republicanos sentavam-se no Parlamento, o que prova o pouco efeito que, até então, tinha tido a livre propaganda da Ditadura republicana positivista. Grande é o contraste com a censura, a inquisição e a perseguição aos monarquistas que se estabeleceu pelo Decreto de 23 de dezembro do mesmo ano, conhecido como “Decreto Rolha”. O Império sempre fora perfeitamente liberal e democrático. E enquanto a monarquia foi perseguida pela famosa “cláusula pétrea”, dispositivo que perdurou até a última das publicações periódicas chamadas Constituições, a de 1988, a mais burra de todas – o regime republicano estabelecido em 1889 se distinguiu, desde o início, pelo personalismo, as iniciativas arbitrárias, as ilegalidades e os sistemas ditatoriais. A República teve que esperar 57 anos, até as eleições de 1946, para formar um governo legítimo e livremente escolhido pelo povo – se a isso se poderia chamar eleições! O dístico comteano era “Ordem e Progresso”. Mas, logo após a Constituição de 91, Floriano Peixoto violou-a ao assumir no lugar de Deodoro. Depois da primeira ditadura militar, conhecemos uma série de presidentes civis que, todos menos um, governaram sob estado de sítio. Na Guerra Civil no Sul, cem anos atrás, os republicanos se divertiram fuzilando a torto e a direito quem quer fosse liberal, federalista ou, por acaso, ainda monarquista como o almirante Saldanha da Gama. Positivista radical, terrorista e assassino, o coronel Moreira César mandava jogar seus inimigos pela janela quando o trem de Curitiba a Paranaguá atingia o precipício na Serra do Mar. O facínora acabou como merecia, trucidado pelos jagunços do Conselheiro antes de atingir Canudos. Na República Velha, não só as eleições eram uma farsa mas, para corrigir o mal, fizeram uma Revolução em 1930, dita liberal, que deu nos 15 anos da ditadura de Getúlio Vargas, seguidos de mais vinte de desordem, corrupção, uma sucessão de golpes de estado e a substituição do Positivismo autoritário por uma ideologia ainda pior, mais cruel e imbecil, o Marxismo totalitário. O grande e verboso intelectual baiano, Rui Barbosa, alcunhado de Águia de Haia, tentou duas vezes alcançar a Presidência, sendo frustrado por manobras sujas do caudilho gaúcho Pinheiro Machado, sucessor de Júlio de Castilhos e promotor de uma linhagem de outros caudilhos, Borges de Medeiros, Getúlio, Goulart e Brizola. A Pinheiro Machado, o único personagem em cargo elevado que foi assassinado em nossa história, é atribuído o princípio fisiológico definidor do Patrimonialismo: “Para os amigos, tudo; para os inimigos, nada; para os indiferentes, lei neles!”. A versão mais grosseira: “para os amigos, marmelada; para os inimigos, bordoada…”. Para que possam “pegar”, são as leis no Brasil invariavelmente mal redigidas, ou feitas de tal modo que favoreçam este ou aquele personagem, esta ou aquela facção, este ou aquele grupo de pressão ou corporação empenhada em privatiza o Bem Público para seu bel prazer. As leis às vezes têm nome. São normas especialmente inventadas no interesse de determinada família. A lei Chateaubriand por exemplo, protege os filhos adulterinos. A lei Portella foi concebida para ajudar a viúva de determinado político, um prestigioso senador que morreu de determinada moléstia. No caso, não se deve chercher la femme, mas chercher l´homme, procurar o homem a quem é destinado o benefício e o privilégio. Pensam que as coisas mudaram? Mudaram um pouco. Mas o que dizer das viagens de uma determinada senadora à Argentina às custas do Tesouro nacional, ou de um determinado Presidente ao Oriente Médio? Quando D. Pedro II foi à Terra Santa, pagou de seu bolso a viagem e as despesas dos poucos que o acompanharam… E não visitou nenhum pirata terrorista da costa que, na época, era apropriadamente conhecida como Barbary Coast, a Costa da Barbaria. No regime que vigora em nosso país há 115 anos, “não há senão mentira e mentira”, dizia Rui Barbosa, um liberal de convicções, republicano por conveniência de última hora, político frustrado por sempre procurar agir com mãos limpas e arrependido, ao final da vida, pela burrada que fizera. Citado por João de Scantimburgo, Rui Barbosa era. “Mentem as leis, mente a Constituição, mente o governo, mente o Congresso, tudo mente!”. Esqueceu-se de qualquer referência ao Judiciário. Mas como Rui continua atual ! Para terminar, valeria acentuar que a monarquia brasileira, como, aliás, todas as monarquias constitucionais parlamentaristas atuais, teve o dom de combinar num todo harmonioso os três tipos de autoridade ou “dominação” (Herrschaft) propostos por Weber: o tradicional, o carismático e o racional-legal. Este meu argumento central salienta o caráter obviamente tradicional do poder dinástico que permitiu atravessar, sem conflitos sérios, as crises da Independência, da conservação da unidade nacional e da Abolição. Os 50 anos de governo de Pedro II foi o mais racional e legal que tivemos. Ele não teve paralelo na história da América, nem mesmo da Europa continental contemporânea. Seu principal segredo consistiu em manter o carisma de um gentlemann de velha estirpe, de sabedoria inata e sem ambição de porder. Alguém que não pretendia ser Papai Noel, encarnar o paradigma sebastianista de pai dos pobres, ou pontificar, pelo mundo afora como lider dos Perrapados do Terceiro mundo.

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As origens Açorianas do Visconde de Mauá

AS ORIGENS AÇORIANAS DO VISCONDE DE MAUÁ

Em 1842 o jovem Irineu Evangelista de Souza, sócio da Empresa Carrunthers & Cº, embarca num navio da “Companhia Real Inglesa de Navegação” pela primeira vez segue em viagem para a Europa. Seu destino era conhecer as indústrias de base na cidade de Manchester na Inglaterra.

Fascinado com as máquinas de produção em escala de tecido de lã e linho, as forjas e as caldeiras gigantes de fundição de ferro e bronze da prospera indústria naval inglesa, além de visitar a grande novidade daquele tempo, as instalações da Stenphenson & Cº que produzia uma locomotiva movida a carvão.

Tudo lhe era novidade, e maravilhado pensava em trazer estas novidades cientificas para o Brasil.

Pensava também, observando aos trabalhadores destas fabricas, de fundição e estaleiros, além dos estabelecimentos têxtil, que não encontraria mão de obra qualificada ou mesmo,  preparada para tais ofícios da indústria no Brasil.

Foi seu mentor, amigo e sócio Richard Carrunthers, ao despedir-se no Porto de Southrampton, que deu-lhe a ideia; …”Ereneo, por que não procura esta mão de obra na terra natal de seus pais e avós…?!?!?”.

E com esta ideia fez escala na Ilha Terceira, no Arquipélago dos Açores, onde foi recepcionado por um tio-avô, Capitão Francisco José d´Avila, irmão de seu querido avô Capitão-Mor João d´Avila herói na batalha do cerco de Mercedes na antiga Colônia portuguesa do Santíssimo Sacramento no atual Uruguai.

Tinha seu avô João d´Avila, nascido na Ilha Terceira em 1719, partido para o distante Brasil em 1753, no posto de Capitão-Mor, com o comando de bravos açorianos que lutariam heroicamente contra a poderosa investida militar portenha, pois Buenos Aires era o principal rival comercial no rio da Prata a pequena porém prospera Colônia do Santíssimo Sacramento.

  Era o germe da iniciativa familiar que movia estes heroicos açorianos, que carregavam junto suas esposas e filhos, fosse no trabalho na pesca marítima, fosse no campo de batalha, fizeram povoar aquela distante Colônia do Santíssimo Sacramento em 19 de março de 1680, resistindo as várias invertidas militares de Buenos Aires até o confronto final em 1759, quando um exercito gigantesco de portenhos amparados pela armada espanhola destruíram aquela prospera colônia portuguesa.  

Seu avô resistiu em batalha com grande heroísmo perdendo dois irmãos no confronto armado contra os castelhanos e portenhos. Chegou a salvar as mulheres, idosos e crianças defendendo a matriz da cidade onde estavam refugiados, último bastião, apenas dez soldados ao seu comando contra toda a armada espanhola e o exercito portenho. Uma bala de canhão castelhana atingiu o altar mor da Igreja Matriz onde a população se refugiara, mas para espanto de todos ninguém pereceu, somente o altar de talha dourada ardeu restando intacta a imagem de Nossa Senhora da Glória do Pilar de grande devoção açoriana e a população no interior da Igreja que também nada sofreu com a grande explosão.

O Comandante Portenho ordenou cessar fogo, e impressionado permitiu aos heroicos açorianos deixarem a cidade com suas armas e provisões (as que lhes restavam) em direção da fronteira do Rio Grande do Sul.

As notícias do episódio chegaram a Portugal e aos ouvidos de El Rey D. José I, que resolve conceder aos soldados e suas famílias terras em São Pedro do Rio Grande do Sul. Ao heroico Capitão-mor João d´Avila concedeu uma Sesmaria no Arroio Grande onde em 27 de dezembro (dia de São Ireneo dicípulo de São João Evangelista) nascia o “…innocente Ireneo, baptizado no dia 28 de dezembro…” de 1813, na Estância de seu pai Tenente-Coronel  João Evangelista d´Avila e Souza.

Como curiosidade o bravo Capitão-Mor João d´Avila morreu comemorando a Independência do Brasil em 20 de novembro de 1822,…”após tomar uma barrica de vinho do Porto, ter bailado com duas netas he uma bisneta, passou mal, e posto sobre a meza do conselho faleceo tendo recebido a estrema unção de seo sobrinho padre Manoel d´Avila parocho da villa…”. Naquele momento descobriu-se que João d´Avila tinha 104 primaveras bem vividas …está ele e sua mulher enterrados no altar lateral da Matriz de Porto Alegre.

Tamanha influência da cultura açoreana na vida do Visconde de Mauá teria evidente força na escolha da mão de obra para suas industrias; no Estaleiro e Fundição da Ponta d´Areia, na Companhia de Gás do Rio de Janeiro, na Companhia de Rebocadores de São Pedro do Rio Grande, na Imperial Companhia de Navegação a Vapor e Estrada de Ferro de Petrópolis, os braços fortes açoreano e olhanense estavam sempre presentes.

Retornemos a bela tarde de 25 de agosto de 1842, na Matriz do Santíssimo Salvador da Sé de Angra do Heroísmo, quando conduzido por seu tio Francisco José d´Avila, o jovem Irineu ao consistório da antiga Régia Irmandade de Nossa Senhora do Rosário é recebido solenemente como Irmão, como foram seus pais e avós, deu-se uma revolução na cabeça do futuro patrono da indústria, transportes ferroviários e da marinha mercante do Brasil.

Seria, não mais a mão de obra escrava, mas a trabalhadores livres, a conduzir o nascimento e desenvolvimento da indústria nacional. Juntando a estes mais tarde no ano de 1845 em seu juramento na Régia Irmandade de Nossa Senhora da Glória do Pilar no Portugal continental, também faria Mauá arregimentar trabalhadores na heroica Vila de Olhão no Algarve. Influenciado pela leitura do livro de José Agostinho de Macedo “O Nono Argonauta” sobre os pescadores que vieram num caíque ao Rio de Janeiro avisar a D. João VI que no Algarve tinha sido expulsos os franceses em 1808, e da história contada por seu tio materno Capitão João Baptista de Carvalho que participou em 1831 do regate a Fragata Urânia pelo primeiro Marquês de Vianna (mais tarde seu contraparente por casamentos dos netos) com ajuda dos heroicos pescadores da vila de Olhão para leva-la a Ilha Terceira nos Açores onde se concentravam os Liberais que apoiariam D. Pedro Duque de Bragança Rei de Portugal e Imperador do Brasil em sua luta contra a tirania despótica de seu irmão D. Miguel que usurpara o trono de Portugal que era de sua filha D. Maria II.

Eram estes humildes pescadores olhanenses com suas famílias que vieram ao Rio de Janeiro a partir de 1811, que formaram o primeiro núcleo da colônia de trabalhadores da Fundição e depois Estaleiro da Ponta d´Areia a que se acrescentou em 1842 as famílias de açoreanos.

As irmandades religiosas foram uma mola colaboradora deste importante período na história do Brasil, na troca do trabalho servil escravo pela mão de obra livre. Muito antes dos italianos, alemães e japoneses, as famílias de açoreanos e olhanenses o que hoje na cidade de Niterói constitui o bairro da Ponta d´Areia.

Núcleo urbano organizado para a moradia dos funcionários do Estaleiro da Ponta d´Areia, que após a falência do grande Visconde de Mauá em 1878, tem seus antigos trabalhadores, e atuais descendentes, retornado a antiga atividade que antepassados em Olhão e nos Açores tinham, a pesca.

Lá fundaram ainda no século XIX, o Mercado São Pedro, para comercializar sua produção pesqueira, organizaram-se em irmandades (pois os sindicatos e as organizações trabalhistas só passariam existir com o Estado Novo de Getúlio Vargas nas décadas de 1930 e 1940), para se proteger e ajudar mutuamente.

No Rio de Janeiro, a Irmandade de Nossa Senhora da Candelária do Rio de Janeiro, o jovem “Irineo” foi feito Irmão ainda no distante ano de 1826 por seu Patrão portuense e depois sócio João Rodrigues Pereira d´Almeida que também era irmão na Irmandade de Nossa Senhora da Glória do Pilar em Portugal. Alí o futuro Visconde de Mauá foi padrinho de; em 7 de novembro de 1833 de D. Luiza de Lima e Silva de Loreto Viscondessa de Santa Monica, filha dos Duques de Caxias;  em 22 de abril de 1845 de José Maria da Silva Paranhos Junior Barão do Rio Branco, filho dos Viscondes do Rio Branco; em 12 de junho de 1842 do Conselheiro Dr. Alberto Irineo de Sá filho do Conselheiro José Maria de Sá e de D. Josepha Maria da Cunha, neto de Miguel da Cunha Pereira herói da guerra na Colônia do Santíssimo Sacramento no Uruguai; em 6 de agosto de 1859 de D. João Manuel de Menezes Marquês de Vianna filho de D. Antônio Rodrigues da Silva e D. Maria Amélia Manuel de Menezes, neto dos Marqueses de Vianna. O Visconde de Mauá era também irmão nas irmandades; da Santa Cruz dos Militares, de São Francisco de Paula e da Imperial Irmandade de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, esta ultima como Irmão Benemérito.

Concluímos assim que a influência da colonização açoriana e olhanense no Brasil do segundo reinado contribuiu para a mudança das relações de trabalho, saindo do estado servil agrário para o assalariado na indústria de base recém instaurada por Mauá a partir de 1842.

As irmandades religiosas que aglutinavam estas associações e colônias de imigrantes possibilitaram o melhor aproveitamento desta população a serem deslocadas para trabalhar e desenvolver esta indústria de base. Surgindo assim uma nova forma de ver a sociedade brasileira.

 

Rio de Janeiro, 19 de agosto de 2013

 

Eduardo André Chaves Nedehf Marquês de Viana.

 

 

 

 

Bibliografia:

BESOUCHET, Lidia; MAUÁ Y SU ÉPOCA, Ediciones América Economica, Buenos Aires, ARGENTINA, 1940.

FERREIRA, Conselheiro João Carlos de Souza, UM GRANDE BRAZILEIRO ESBOÇO BIOGRAPHICO DO VISCONDE DE MAUÁ, Typ. do Jornal do Commercio de Rodrigues & Ciª, Rio de Janeiro, BRASIL, 1898.

GANNS, Claudio; VISCONDE DE MAUÁ AUTOBIOGRAFIA, Livraria Editora Zelio Valverde, Travessa do Ouvidor 27, Rio de Janeiro, BRASIL, 1943.

HILL, Lawrence F.; BRAZIL, University of California Press, Berkeley and Los Angeles, California, USA, 1947.

I.H.G.B.; O VISCONDE DE MAUÁ (NO CINCOENTENÁRIO DE SEU FALECIMENTO) Tomo Especial da Revista do Instituto, Imprensa Nacional, Rio de Janeiro, BRASIL, 1940.

MACEDO, José Agostino de; O NOVO ARGONAUTA-POEMA, Typographia de Bulhões – Lisboa, PORTUGAL, 1825.

MAUÁ, Visconde de; EXPOSIÇÃO DO VISCONDE DE MAUÁ AOS CREDORES DE MAUÁ & C. E AO PUBLICO, Typ. Imp. de Junius Villeneuve & C. Rua do Ouvidor 61, Rio de Janeiro, BRASIL. 1878.

MOYA, Coronel Salvador de; ANUÁRIO GENEALÓGICO BRASILEIRO, Vol.s III e IV – Publicações do Instituto Genealógico Brasileiro, São Paulo, BRASIL, 1941 e 1942.

NEDEHF, Marquês de Viana Eduardo André Chaves; MEMORIAL VISCONDE DE MAUÁ – ARQUIVO E MEMÓRIA, Gráfica UNIFOR, Universidade de Fortaleza, CE, BRASIL, 2005.

NEDEHF, Marquês de Viana Eduardo André Chaves; DIÁRIO DE BORDO DO MARQUÊS DE VIANA, Gráfica UNIFOR, Universidade de Fortaleza, CE, BRASIL, 2008.

RIO BRANCO, Barão do; EPHEMERIDES BRAZILEIRAS, Typ. da Bibliotheca do Jornal do Brazil, Rio de Janeiro, BRASIL, 1892.

TERRA, Dr. Gabriel; EL BARÓN DE MAUÁ Conferencia, Puente Internacional Mauá, URUGUAI, 12 de Octubre de 1930.

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A Retirada para o Brasil

A Retirada para o Brasil

 

Jordão Emerenciano

 

Editora TRADIÇÃO

Recife – 1945

 

 

 

Uma transcrição sem fins comerciais de:      

Henrique Alberto Silveira Luiz

Brasil   ANO 500

Para resgatar uma verdadeira página da História de Portugal e do Brasil

 

 

 

 

Para muitos historiadores – desses que transformam a história em guerra civil – a retirada de Dom João VI para o Brasil foi, simplesmente, em boa linguagem, uma fuga. Fuga que valeu por uma autêntica deserção portuguesa, ou quando muito uma feliz manobra política pelo medo, pelo egoísta salve-se quem puder.

 

“A retirada para o Brasil é assim – diz incisivamente Antônio Sardinha – olhada como um expediente de ocasião em que só o susto mandou e o patriotismo esteve ausente de todo”. (1) Segundo tais panfletários da história só houve em toda aquela delicada questão um gesto de coragem e de altivez – aquele da Rainha louca a se debater furiosa contra os que a levavam, gritando que aquilo era fuga. Paradoxalmente querem eles que a única que teve razão naquele dia foi a louca. Deve-se ao talento daquele grande agitador da história, daquele torturado e genial Oliveira Martins – que inegavelmente era um vivo e fascinante estilo, a reconstituição mais ou menos imaginosa da cena trágico-heróica da Rainha anematizando a retirada.

Reconstituição em que o agitador se desdobra numa riqueza de fantasia e num estilo que era o segredo da sua fascinação.

Oiçamo-lo: “D. Maria grita aos cocheiros que faziam voar a sua carruagem: “Mais devagar ! diriam que fugimos”!  A sua loucura proferia com juízo brados de desespero, altos gritos de raiva, entorcendo-se, debatendo-se, às punhadas, com os olhos vermelhos de sangue, a boca cheia de espuma. O protesto da louca era o único vislumbre de vida. O brio, a força, a dignidade portuguesa acabam assim nos lábios ardentes de uma rainha doida”. (2) Eis como se faz história ! Não há dúvida que o leitor menos avisado e de certo já trabalhado por esses atraentes panfletários concluirá, com um julgamento simplista, vendo naquela medida uma conseqüência da indignação da monarquia ante a invasão, uma retirada ditada pelo medo e pela covardia.

Mesmo em nossos dias quando tanto documento esclarecedor veio à baila, quando tanta correspondência ostensiva ou secreta, que estava perdido nos arquivos, foi tornada pública, quando enfim tanta luz se fez sobre o assunto, perdura para muitos uma atitude de cega teimosia em julgar o acontecimento pela mesma maneira como o julgaram os rancorosos liberais do século (XIX) passado. Nesse sentido para muitos não houve progresso nenhum. A questão permanece no mesmo pé em que a deixou o torturado O. Martins. Ora, está sobejamente provado que a emigração para o Brasil era um pensamento antigo da monarquia portugueses – anterior aos Bragança, constituindo uma espécie de herança política que D. João VI realizou. Velho testamento político que somente agora encontrava executor embora o fizesse por imperiosas circunstâncias do momento.

A antigüidade desse testamento político é um ponto incontrovertido – embora nem sempre conhecido. Façamos um pouco de história em torno da sua evolução. Não nos propomos a descobrir novos documentos nem a dizer novidades. O que vamos lembrar é velho de muitos séculos e anda repetido em muitos autores.

O primeiro vestígio dessa transplantação para o novo mundo vamos encontrar no século XVI. A respeito desse início diz sucintamente Calégeras que meiada aquela centúria, aí por volta de 1550. “Martin Afonso de Souza aconselhara a D. João III assim proceder” (3) Não ajunta nenhum pormenor a respeito daquele conselho. Antes porém escreveu que “em si nenhuma novidade era para Portugal a idéia da transferência para o Brasil da sede da administração pública”. (4) Não nos foi possível encontrar dados que nos esclarecessem acerca dos motivos que levaram Martim Afonso de Sousa – um grande experimentado em assuntos coloniais – a dar  aquele conselho e tampouco como o recebeu o Piedoso – esse grande Rei colonizador e o primeiro que sentiu a importância real da América portuguesa em contraposição às riquezas fáceis, miríficas das Índias. Não quisemos também descer a pesquisas minuciosas porque se encontram depois novos vestígios de plano. Assim é que ao tempo do malogrado Prior do Crato o Brasil foi lembrado como retiro seguro e um provável centro de reação. Disso nos dá notícia Melo Morais lembrando que D. Pedro da Cunha, a quem fora confiada a guarda de Lisboa por D. Sebastião – “ aconselhara ao D. António, prior do Crato, que não tendo S. Alteza, mais do que os aguadeiros de Lisboa, para defender os seus direitos, ao passo que o Duque d’Alva entrava em Portugal com um exército de 24.000 homens, o que tinha que fazer era passar-se com os seus para o Brasil, onde podia salvar a sua dinastia e fundar o maior império do mundo”. (5) Esse era o pensamento, cheio de bom senso, dum velho e experimentado homem público. Desgraçadamente o Prior não o quis seguir. Todos sabemos qual o seu triste fim e como Portugal perdeu então a sua independência – desgraça que se repetiria em 1807 se D. João em idêntica circunstância não procede-se de maneira diversa!

Mas, a antigüidade do plano não pára aqui.

Outra vez acompanhemos a sugestão de Calógeras.

É ele ainda quem nos esclarece lembrando que o manhoso e muito hábil Felipe II – aquele astuto demônio do meio-dia – tentou afastar da questão portuguesa um adversário, que tinha fundados direitos, acenando-lhe com a possessão americana. Esse adversário era D. Catarina, duquesa de Bragança, a parenta do falecido Cardeal-Rei D. Henrique, a primeira da ordem da sua sucessão. “ O soberano espanhol tentou convencê-la escreve Calógeras – a propiciá-la pela oferta de elevar o Brasil a reino independente sobre o qual assentaria seu trono”(6). Aliás – diga-se aqui, somente de passagem, a Espanha também nunca foi estranha a essa possibilidade de emigração total ou parcial da sua própria realeza para a América.

Onde porém o projeto se apresenta mais definido e esteve a ponto de realizar-se é ao tempo de D. João IV – a quando da Restauração de 1640. É então que se pensa seriamente naquilo que Handelmann chamaria depois o “testamento político” de D. João IV.(7) Nos primeiros anos da Restauração e independência política portuguesa era toda incerta, podendo a qualquer momento vir a ser uma simples aspiração nacional pois que a Espanha vivia a lhe rondar as fronteiras, sempre em pé de guerra, como que disposta a tomar uma sangrenta desforra contra a inesperada reação comandada pelo Duque de Bragança. A monarquia bragantina tinha o se destino condicionado pela independência política de Portugal e assentava-se na dualidade peninsular. E nesses primeiros tempos era sobremaneira periclitante a existência de ambas, face ao poder de Castela. Aos homens públicos de então – como aos de 1807 – se afigurou indispensável procurar um retiro seguro onde, embora exilada da metrópole, pudesse a monarquia prosseguir livremente no seu exercício possibilitando depois uma reação organizada. No caso de verificar-se uma invasão, a Monarquia retirava-se para uma parte do Império e lá organizava o movimento de libertação , congregando como um núcleo central os elementos dispersos pelo invasor.  De qualquer maneira salvava-se o princípio dinástico – a realeza continuava independente. O plano não deixa de ser o de uma política inteligente. Começou-se então a pensar seriamente na América Portuguesa. O Brasil passou a ter uma importância especial. Iniciou-se uma política de valorização americana. A colônia do novo-mundo entrou a ser considerada como capaz de abrigar seguramente o princípio dinástico. Já em 1642 organizou-se o Conselho Ultramarino – de atribuições amplas e de profunda significação para a vida administrativa do Brasil Colônia – merecendo que Haldelmenn o classificasse como um “ministério das colônias”. Isso era sinal evidente da nova política americana da Cada de Bragança. Mas, D. João IV não ficou somente nisso. Exaltou o Brasil com o predicamento de principado fazendo-o apanágio do Príncipe Herdeiro. Desde 1645 o herdeiro da Coroa, passou a usar um título que define uma política – Príncipe do Brasil. São de Melo de Morais as conscenciosas palavras que se seguem: “Aquele previdente monarca D. João IV considerando, em vista compreensiva, a instabilidade do original do reino de Portugal, pela estreiteza do território, inimizade de Espanha, desarmonia de potências preponderantes da Europa, persuadido que a segurança de coroa e dinastia, unicamente se poderia achar no criado principado ultramarino, tendo aí residência a família real, fez um roteiro, para a execução do projeto, que concebeu do trespasse da corte portuguesa para Pernambuco: que então pela natural fortificação do Recife parecia ser a central estância marítima mais adequada ao destino, por até ser havida na Europa como a Rochella da América”(8). Aliás Melo Morais cita em abono das suas afirmações uma carta de Pe. Vieira – a cujo tino político e sagacidade parece se dever a sugestão desse plano a D. João IV – que documenta concretamente este ponto. Leiamos o que diz o grande político: “ Lembra- me agora de quando a rainha-mãe, por conselho dos condes de Cathanhede e Soure, enviou a V. S. não só a governar Pernambuco, mas também, para prevenir a seus filhos, uma retirada segura, no caso em que alguns sucessos adversos, que então muito de temiam, necessitasse este último remédio e também V. S. estará lembrado de que S. M., que me mandara passar do Maranhão, onde estava, para assistir a V. S. e se seguir o roteiro que el-rei, que Deus tem, tinha prevenido, como tão prudente, para o caso de semelhante tempestade e, se achou depois da sua morte, em uma gaveta secreta rubricado de sua real mão, com três cruzes …”(9).  Há, informações seguras de que a Rainha D. Luiza de Gusmão era também uma partidária dessa emigração, advogando-a sempre com firmeza e veemência como uma medida prudente e de grandes conseqüências. Não parece igualmente destituído de fundamento o projeto de D. João IV de casar o Príncipe do Brasil com uma princesa da casa de França afim de que este, naturalmente com o prestigio da aliança francesa para conservar à distancia a Espanha, reinasse em Portugal, enquanto ele, D. João, fundaria no Brasil um novo reino (10).

Seria um lapso lamentável se nesse breve esforço, mero trabalho de coordenação, deixássemos sem uma referência especialíssima a memória escrita por D. Luiz da Cunha – o maior diplomata do seu tempo como lhe chamou Handelmann a propósito duma possível transladação da realeza para o Brasil. O neto daquele que aconselhara o prior do Crato continuava o mesmo pensamento político de seu avoengo. O eminente diplomata declara em seu escrito  “ que durante a guerra geral, que principiou em 1700 e acabou treze anos depois, com maiores ou menores interrupções, ele também pensara, que era chegada a ocasião de passar a família real para o Brasil” (11). D. Luiz da Cunha via no Brasil não somente o momentâneo abrigo da Realeza enquanto lá na Europa as coisas se arranjavam – como uma colônia cujas largas possibilidades de desenvolvimento e grandeza poderiam assegurar à Casa de Bragança um esplendor novo. Diz o venerando autor da “História da Fundação do Império do Brasileiro” que aquele estadista julgava que “a monarquia portuguesa ganharia no mundo posição mais elevada e venturosa estabelecendo-se no Brasil”(12).

E por isso era ele partidário de que ao Brasil se deviam cuidados especiais e que merecia umas prerrogativas verdadeiramente revolucionárias para a administração do tempo. E chegou mesmo, na sua mencionada memória, a sugerir a Diogo de Mendonça – que aconselhasse el-rei a consentir “ que os estrangeiros vão residir no Brasil e nele vivam e exerçam as artes, e as ciências, porque com isto muito ganhará a coroa de Portugal”(13). D. Luiz da Cunha teve nessa questão – desprezado o quociente de imaginação e de fantasia do qual raramente escapam os projetos, elaborados num puro teorismo de gabinete – uma profética intuição da futura importância do Brasil, do relevante papel que o reino americano iria desempenhar em relação ao salvamento da soberania metropolitana. De certo modo foi ele o profeta do reinado brasileira de D. João VI.

Nós pararíamos aqui se não devêssemos ajuntar que ao tempo de D. José o seu ministro Pombal cogitou em aproveitar essa velha sugestão duma sede americana para a administração do Reino. O Ministro chegou a Ter uma esquadra preparada para atender aquele fascinante chamamento feito havia muito por um mundo cheio de maravilhas e riquezas. Ainda uma vez as circunstancias não foram de tal maneira imperiosas que forçassem a execução do plano. Essa medida era lembrada sempre que um perigo sério ameaçava a independência, nunca fora antes posta em prática porque os males tinham sido conjurados. (14)

A D. João VI, iria caber a tarefa a um tempo ingrata e delicada, mas única no seu momento, de realizar essa política histórica. Até aqui demonstrávamos a anterioridade da medida posta em prática por D. João VI acompanhando um projeto que datando de D. João III passou pelo Prior do Crato, D. João IV, Afonso V, D. João V, D. José I, sempre lembrado por estadistas e ministros como D. Luiz da Cunha, Vieira, Pombal, Gusmão, etc. Sobejamente ficou demonstrado que o Clemente não descobriu nenhuma novidade retirando-se para o Brasil. Façamos ainda todavia uma ligeira resenha da evolução desse plano no tempo de Clemente. Antes de 1807 já se pensara numa solução para a circunstância de se verificar uma invasão francesa em Portugal dia a dia mais iminente. Sempre conjurada nunca porém afastada de vez.

Caberiam aqui, algumas indagações para determinação das causas que moviam a corte portuguesa a alimentar, durante centúrias esse projeto. Não era somente o fascínio dum mondo novo, o gosto, nunca desprezado pela alma portuguesa, para uma aventura sensacional. Sem dúvida esse encantamento pela jovem América influía no ânimo dos que elaboravam o plano. Mas, houve acima de tudo isto, e como causa realmente determinante, uma fria e seca razão de estado, um motivo político ditado pelo bom senso realista dos homens públicos. Portugal vivia na Europa, e vive ainda hoje, como que sufocado e sobremaneira vulnerável e muito disputado pelas grandes potências como ponto de apoio. Dotado de ampla costa marítima oferece por isso mesmo uma grande dificuldade de se defender pelo lado do mar e daí um dos motivos de sua aliança inglesa que pelo menos mantém a esquadra britânica à distancia.

Por terra havia quotidianamente, o perigo castelhano acrescido pelas variações da política francesa que ora se inclinava para um ora para outro não oferecendo portanto segurança a sua amizade. Sufocado é bem a palavra porque por terra e por mar havia um constante perigo. Daí Portugal Ter vivido sempre com um pé a bordo e outro em terra. E não terá essa sua delicada posição influído profundamente na sua vocação marítima levando-o a procurar novas rotas e mundos novos que lhe permitissem um desafogo? Que lhe permitissem recursos para resistir às complicações duma política exclusivamente européia? A resposta não é difícil.

Quando veio o Império Colonial maiores foram os motivos que levaram a Realeza, pelo pensamento de vários estadistas, a cogitar num deslocamento de centro administrativo, na transferencia da metrópole. Esses motivos se cifram na necessidade duma metrópole, mais central, mais próxima do Império, mais ao alcance de todas as rotas marítimas. Era a necessidade de administrar de perto, diretamente – como que uma medida preventiva, para a conservação do Império. E mesmo uma sã política de desenvolver e engrandecer os domínios ultramarinos.

Constitui esse projeto um pensamento comum a estadistas de épocas diferentes. Constitui uma espécie de constante na política portuguesa.

Aliás a idéia duma emigração da Realeza não era exclusiva de Portugal. O Gabinete de Madrid pensou em hipótese semelhante em diversas ocasiões quando então as circunstâncias lhe indicavam essa solução como a mais apropriada. Lembremos só que Vauban chegou a sugerir tal saída a Felipe V quando este “perseguido pela Inglaterra, Holanda, Áustria e Portugal cogitava igualmente de abandonar Madrid e refugiar-se na colônia onde fora outrora o Império dos Incas” (15). Houve mesmo quem lhe augurasse então que dentro de 10 anos poderia voltar poderoso, e forte “para conquistar a Espanha com tesouros do México”(16). O Conde de Aranda, embaixador de Madrid, junto ao Rei Cristianíssimo tinha ainda planos maiores, mais vastos. De tal maneira grandiosos que ele próprio os classificou de sonho (17). Refere Porto Seguro que aquele titular “meditava não só um plano de independência do Brasil todo, instituindo nele uma monarquia regida pela Casa de Bragança, como até do engrandecimento de uma tal monarquia, inclusivamente até as beiras do Pacífico, unindo-lhe o Peru e o Chile, uma vez que a família de Bragança abdicasse os seus direitos às províncias continentais européias de Portugal e que estas se agregassem à Espanha”(18). Aranda chegou mesmo a dar conhecimento desse seu projeto em uma carta memorável ao ministro Flórida Branca que então dirigia o gabinete madrileno. Esse curioso documento traz a data de 1786 (19). Naturalmente vamos convir que o assunto comporta ainda um largo desenvolvimento que não podemos lhe dispensar aqui.

Esse era o estado da questão antes de D. João. Examinemo-la agora ao seu tempo. A emigração deixa de ser apenas um pensamento político de estadistas – é já um tema ventilado por representantes de diferentes classes. Articulistas, literatos, jornalistas, juristas e muitos outros dizem também a sua palavra sobre o tema. Ainda em 1789 o Ideiador traz estampado – sob o pseudônimo dum articulista desconhecido, “um vasto plano para o aumento e prosperidade do Brasil, por meio da transferência a ele da corte portuguesa”(20). O plano se desenvolve em sugestões de caráter prático não desprovido de um conhecimento apreciável da questão. Essas idéias começam a ter uma maior difusão, generalizam-se por entre as mais variadas esferas da administração, das classes. Tornam-se o pensamento de muitos membros do gabinete, da nobreza. Acentua um historiador que “na corte de Lisboa homens leais e pensadores, pelos conhecimentos que adquiriam do continente brasileiro, olharam o Brasil, não como um território de especulação mercantil, porém como a tábua de salvação da monarquia portuguesa”(21). Essa era a orientação de Tomás António Vilanova Portugal, de D. Rodrigo de Sousa Coutinho, a cujo parecer sobre o assunto faremos alusão depois. Muito antes da situação angustiante de 1807 – expressava o Marquês de Alorna em uma carta dirigida ao Príncipe Regente o seu parecer a respeito da maneira de conseguir a Dinastia escapar à crescente ameaça francesa e à pressão britânica. Claramente lança a sugestão: “o que é preciso é que V. ª R. continue a reinar e que não suceda à sua coroa o que sucede à da Sardenha, à de Nápoles … e então V. ª R. parte com toda a sua família para o Brasil”(22). Á medida que as exigências francesas cresciam, mais e mais o plano se afigurava como a única solução prudente. O que aliás era absolutamente contrário aos projetos da política napoleônica que até à última hora tentou evitar a sua execução. De início esteve quase a viajar o Príncipe herdeiro o qual viria ao Brasil com o título de Condestável, e numeroso séquito e alguma tropa. O Príncipe Regente chegou mesmo a fazer uma proclamação aos brasileiros concitando-os a receber o Príncipe como seu Condestável. O representante inglês também partilhava dessa opinião fazendo em nome do seu governo constantes sugestões.

Tudo isso era posto de lado logo que a crise diminuía de intensidade. Essa procrastinação deve-se não só ao temperamento do Regente – cujo lema era protelar, adiar, esperar, até que a coisa não tivesse outro jeito – como às surdas intrigas que na sombra se urdiam com fins verdadeiramente diabólicos.

Todavia o gabinete não abandonava a sua orientação e tenazmente prosseguia na sua execução. Tomás António Vilanova – grande conhecedor do caráter do Regente e do que na sombra se tramava – inteligentemente ia realizando aqui uma política manhosa, mas, de alta eficiência: que se prosseguisse no empenho da jornada do Príncipe da Beira, que tinha muito séquito e cujos obstáculos não eram invencíveis, que no outro projeto de ir o príncipe regente, se não devia falar, para que não levantassem contradições, que o fizessem impossível, que com este se faziam todas as disposições, que eram necessárias, se familiarizavam os príncipes com a idéia de uma viagem, não se atemorizava o povo, e quando chegasse o momento crítico, não achava embaraços o embarque de todos”(23). Tudo isso demonstrava sobradamente a antigüidade do projeto. Estudemos agora sucintamente as causas determinantes da sua execução, aparentemente apressada em 1807. São correntes e bem conhecidos os apuros em que ficou Portugal quando a Espanha por causa de quem ele se metera em guerra com a França – fez uma paz em separado com o governo revolucionário francês sem ao menos se dignar disto dar noticia previamente ao seu aliado. Começa para Portugal uma verdadeira via crucis. Dia a dia a França do 1º cônsul e logo mais Imperador – faz exigências descabidas, tem pretensões impossíveis de satisfazer, exerce em suma uma pressão incompatível com a soberania e a independência portuguesa. Assinam-se tratados que o governo francês se recusa a cumprir, pactua-se subvenções extorquidas ao Erário Régio, nada porém detém a ganância jacobina nem o imperialismo napoleônico. É uma página turva essa. Portugal, melhor D. João e o seu gabinete preferem usar uma tática de manha, de astúcia, de procrastinação contra o adversário inesgotável em exigências e arrogante porque se apoia em legiões de vencedores. Distribuem-se diamantes do Brasil, fazem-se presentes, pagam-se milhares de libras tornezas – numa palavra o erário real transferia-se para os bolsos do Imperador e dos intermediários. Foi um verdadeiro saque. A tudo D. João cede disposto a comprar uma paz sempre mais cara e mais pesada. A cada presente dado a cada consciência comprada, a cada subvenção extorquida corresponde uma nova exigência, uma pressão, ainda maior.  D. João porém preferia praticar o dito de Pombal de que vale mais e custa menos fazer a guerra com dinheiro do que com exércitos. Os últimos embaixadores franceses em Lisboa foram uns verdadeiros procônsules. Verdadeiros salteadores. Cometeram as mais descaradas violações de soberania portuguesa escudados em imunidades diplomáticas – numa palavra comportaram-se como autênticos sargentões travestidos de embaixadores. Enquanto isso os diamantes do Brasil, as libras tornezas, o oiro do erário régio corriam à larga. D. João de ordinário tão econômico e tão comedido em gastos não poupou nada para ver se aplacava a fúria napoleônica. Tudo inútil. Napoleão resolvera que a Cada de Bragança cessara de reinar (24). Decididamente os teimosos Braganças eram um estorvo para seus planos. De fato a conquista de Portugal valia por uma questão de interesse vital para o Império Napoleônico. Portugal exercia o papel de verdadeira chave dum grave problema. Todas as suas promessas, todos os seus esforços em impedir a retirada para o Brasil tinham caráter apenas de uma medida provisória, à espera da hora própria para aprisionar os Braganças e reduzir Portugal a uma posse comum a vários senhores. D. João viu-se em terríveis aperturas. Fez o que pode, vamos convir, foi mesmo além do que devia em matéria de concessões. Asperamente escreveu Pinheiro Chagas que “para obter melhores condições o governo português roja-se aos pés do General Lannes. Não há insolências que se lhe não façam”(25). Mesmo assim ainda mantinha o governo francês as mais enganosas relações com Portugal e já fora assinado o tratado secreto de Tilsit em cujo texto se incluíra uma cláusula segundo a qual ficava assegurada ao Imperador a faculdade de assenhorar-se de Portugal e de destronar os Braganças. essa política realmente indigna continua até mesmo depois do tratado de Fontainebleau – quando estão retalharam a antiga Lusitânia em tantas partes quantas bastassem para saciar a cobiça dos válidos, dos protegidos e o incontido imperialismo de Bonaparte coroado. As exigências mais duras foram formuladas. O bloqueio continental fora decretado. Napoleão pretende reduzir a Inglaterra àquelas condições geográficas em que Deus a criara … uma simples insula … Todos haviam aderido, somente D. João mantinha os seus portos abertos aos aliados britânicos. Isso sobremaneira irritava a Napoleão. Na grande luta entre os dois colossos Portugal significava uma aliança indispensável. “Portugal – escreve J. Amaral – representava nesse duelo de gigantes, uma pedra de valor, pelo seu extenso litoral, cheio de portos de abrigo virados ao Atlântico” (26). Os Braganças porém fiéis à aliança inglesa não queriam completar o bloqueio. Vieram condições drásticas e peremptórias: fechamento dos portos, confisco de propriedades de súditos britânicos, rotura de relações – do contrário o Império reduziria o tergiversante gabinete lisboeta à discreção. Talharia o reino à espada, reduziria tudo a escombros. E mesmo que essas imperiosas exigências fossem satisfeitas a invasão viria porque os Braganças significavam um incômodo, um estorvo para os delírios do Corso que então mandava na Europa. E por sua vez a Inglaterra pôs-se de sobreaviso e mandou uma esquadra fazer cruzeiros de instrução em frente ao Tejo. A que realmente vinha a esquadra bem sabia D. João – caso esmorecesse na fidelidade à aliança inglesa. Houve ainda umas tentativas da sua manhosa política. Fechamento só na aparência – confisco indenizado secretamente, cidadania aos súditos ingleses, mascarava-se a coisa para deter a França. Isso já não bastava e por fim ninguém se entendeu mais. A França descobriu completamente o desonesto jogo de Napoleão fazendo estampar no “ Moniteur” o tratado de Fontainebleau e o decreto de extinção da Casa de Bragança. Por seu turno a Inglaterra perdeu a paciência, entrando a fazer exigências e mostrando quão egoísta é a sua política quando os seus interesses estão ameaçados. A Inglaterra queria responder ao bloqueio continental com a supremacia dos mares. O Imperador era senhor em terra – no mar mandava ela. Para tanto precisava de uns portos de apoio no continente – uns portos chaves como Copenhague, Lisboa. O primeiro ela conquistara – depois dum terrível bombardeio – violentando a sua neutralidade. O outro sofreria igual violência si não se comportasse melhor. Para a Inglaterra era vital igualmente essa supremacia nos mares. As ameaças inglesas assumiram um caráter tal que não ficava atrás dos franceses, qualquer invasão em Portugal a Inglaterra responderia com outra nas suas colônias, a começar pelo Brasil. Leiamos alguns trechos dum memorável discurso que o ministro Mr. Pitt pronunciou no Parlamento inglês acerca dessa palpitante questão: “Logo que todas as potências coligadas com a França, brigam com a Inglaterra, a Inglaterra restam-lhes recursos certíssimos, colocar o príncipe do Brasil no seu trono na América e quando ele ignorante dos seus verdadeiros interesses, ou corrompido pelas proposições pacíficas da França não anuía às proposições da Grã Bretanha, esta faz dois desembarques ou invasões súbitas naquela península, uma no Brasil, outra no Pará, uma na parte do nascente outra da parte do poente naquele lugar mais oportuno para a manutenção do trono”(27). E tais ameaças não eram difíceis de realizar por falta de conhecimento do terreno. Tudo havia sido estudado com minúcia e cuidado. O próprio Mr. Pitt confessa: “muito de antemão e com muito vagar tem a Grã Bretanha feito considerar com precisão e minúcia, assim matemática, como politicamente todo aquele país ou região chamado América Meridional”(28). E desse modo já não havia “costas, enseadas e ancoradouros, bancos, parceis, baixas, portos, praias e rios … cachopo, pesqueiro ou desembarcadouro, por pequeno e desprezível que seja ou pareça que não se ache calculado e descrito no mapa com a maior clareza e precisão geométrica”(29). Não se pode ser mais claro e mais explícito. E para que não ficasse nenhuma dúvida se a Inglaterra seria capaz de levar a termo essas ameaças contra o seu aliado, proclama enfaticamente Mr. Pitt que “a nação britânica não acha dificuldades, quando vê que é preciso fazer grandes coisas; e por isso mesmo que é ação façanhosa é digna dos ingleses”(30). Esse o pensamento do gabinete inglês.

A respeito das intenções britânicas fala Oliveira Lima documentado nas insuspeitas memórias de Sydney Smith. “ O almirante é o primeiro a reconhecer que essas colônias estariam de fato perdidas para a metrópole se D. João não emigrasse para o Brasil. Os ingleses ocupa-las-iam sob pretexto de se defender (31). Araújo – o chefe do partido francês não só levantou a suspeita de que o aliado do Mancha seria bem capaz de atacar Lisboa como foi mais longe manifestando o seu pensamento em carta ao secretário do P. Regente dizendo: “Lembro que será necessário ordenar que se ponha a ilha de Sta. Catarina em estado de defeza com artilharia que pode mandar de onde for menos precisa, e com alguma tropa, porque os ingleses podem ter a cobiça naquela chave do Brasil e quererem apoderar-se dela declarando que não farão hostilidades aos portos do Brasil”(32).

Esse ponto da questão julgamos incontrovertido. Ninguém põe mais em duvida que “Inglaterra executaria as suas ameaças (33). Basta lembrar que ela se apoderou da ilha da Madeira sem grandes escrúpulos. E para a sua devolução houve trabalho … No fundo havia razão para essa fria política inglesa – na guerra não se deve poupar o inimigo. Seria realmente uma enorme dificuldade para a Inglaterra se o Imperador dispusesse do Império Colonial Português – Não só p comércio se arruinaria como o imperialismo napoleônico ia se apoiar em sólidas bases navais e militares. O gabinete de St. James via todos esses perigos e não perdeu tempo com pactos tratados e alianças. Entrou a falar claro para o governo de Lisboa. Por outro lado os ingleses não queriam de maneira alguma que a esquadra portuguesa viesse a  cair nas mãos do Imperador. Com realismo frio e sem sentimentalismo pôs o gabinete lisboeta entre a espada e a parede: ou utiliza afim de retirar-se para o Brasil – e de lá uma eventual reação, ou aguardar que a Europa serene,- ou então entrega imediata dela ao governo inglês – com ou sem indenização. E note-se essas propostas eram secundadas pelas baterias britânicas que bordejavam à vista da cidade. Sucintamente escreve Tobias Monteiro: “a esquadra inglesa fundeada no Tejo podia Ter uma dupla ação”(34). O mesmo autor faz referências às “instruções dadas por Fox ao embaixador lorde Rosslyn e ao almirante, lorde Sr. Vincent” a respeito da esquadra portuguesa e das conseqüência que poderiam surgir duma recusa (35). Em uma nota ameaçadora e arrogante ao gabinete de Lisboa – Strangford, depois de lembrar o acontecido ao porto de Copenhague, disse “francamente e sem rodeios que S. M. nunca permitiria que um vaso dos seus aliados passasse às mãos de seus inimigos … Também S. M. B. nunca consentiria que as forças navais das potências neutras engrossassem as forças dos seus inimigos”(36). Isso se chamava fazer diplomacia às claras … Vamos convir que não eram menos delicadas as relações com o aliado inglês. Tornara-se impossível a D. João repudiar a aliança britânica naquela hora terrível. Não só por motivos militares – impossibilidade material de resistir aos ataques dos seus navios, ameaças às colônias, como por motivos econômicos. Mesmo não era decente para um príncipe leal e católico romper de repente velhos laços de amizade, confiscar propriedades de indefesos súditos ingleses, fechar os seus portos, atirar-se enfim aos braços dos franceses. De tudo isto nos dá boa conta D. Rodrigo de Souza Coutinho em seu “parecer ou voto de 21-8-1807”. A demonstração “que V. A . Real vai dar a toda a Europa da sua incomparável magnanimidade da invariabilidade dos seus princípios de justiça e da sua exemplar firmeza, expondo-se a experimentar as calamidades de que o ameaçam antes do que violar tão escandalosamente os deveres da justiça e de religião e é esta augustíssimo senhor, uma das mais admiráveis provas do paternal amor que V. A . Real tem dado aos seus fiéis vassalos”. E aqui o futuro Linhares avança numa afirmativa cheia de realismo político, lembrando que tal demonstração não era somente honrosa como muito prática “porque sustentando V. A . Real assim a reputação de fidelidade portuguesa, os preserva (aos seus fiéis vassalos) das cruéis e destrutivas represálias que os ingleses não poderão deixar de praticar contra nós e nossos cabedais”. O parecer de D. Rodrigo prossegue ainda lucidamente descrevendo inconvenientes outros da ruptura com os ingleses. “Mas serão constantes – Augustíssimo Senhor os terríveis golpes que vamos dar ao nosso comércio pela clausura dos nossos portos e escassez de gêneros de primeira necessidade que vamos experimentar por tal fato, o retardo da correspondência com as colônias de V. A . R. a baixa que deve sofrer o nosso papel moeda, e as conseqüências que disso devem necessariamente realizar, ainda quando a guerra com a Grã-Bretanha não seja mais do que de aparência”(37). Reconheçamos que a situação do gabinete de Lisboa era naquele momento a mais angustiosa possível. Tinha que optar por uma solução e qualquer delas implicava sacrificar ou o reino europeu ou o império ultramarino – aquele temporariamente o outro definitivamente. Entre as solicitações inglesas – mais práticas embora um tanto egoístas – e as francesas – arrogantes e prementes, insaciáveis como todas aquelas que são ditadas pelo imperialismo ideológico – o gabinete oscilava indeciso. De ambas havia partidários exaltados. Escolher em meio de tanta cisão e de interesses tão contraditórios, eis a torturante missão do Regente. João Amaral formula essa pergunta difícil de responder: “Que há de fazer Portugal ? Entre o poderoso aliado britânico, senhor dos caminhos marítimos e a fôrça da França – força militar e força de expansão ideológica – debatemo-nos angustiados”(38). Os próprios historiadores liberais reconhecem quão perigoso era aquele momento. Oliveira Martins escreve: “ A França exigia dele que declarasse guerra à Inglaterra dentro do prazo de vinte dias, que fechasse os portos aos navios ingleses anuindo ao bloqueio continental, que juntasse os seus navios às esquadras combinadas franco-espanholas, que seqüestrasse todas as propriedades inglesas e prendesse todos os súditos britânicos . como havia o príncipe regente de anuir a isto, se por seu lado o inglês para o proteger, guardava a costa com uma esquadra? Mas como podia lançar-se-lhe nos braços, se a Inglaterra declarava que a invasão de Portugal pela França, responderia a ocupação do Brasil pelas forças britânicas? Quando o seu defensor afirmava que saquearia para o defender, como havia o Príncipe Regente aceitar o auxilio oferecido?(39).

Há ainda uma solução: conservar a aliança inglesa recusando ceder às exigências napoleônicas e resistir à invasão, dando mais uma vez um atestado do valor português. Não sabemos porém se mesmo assim o império colonial salvar-se-ia das pretensões inglesas. Muitos reputam a desistência de lutar, o receber a invasão sem uma reação armada a maior vergonha da história portuguesa (40). É tão fácil fazer a história com eloquência embora seja ou não verdadeira. Panfleto, guerra civil isso sim, história escrupulosa isso não. Lembram muitos o estado miserável das tropas francesas entradas em Lisboa sob o comando de Junot. Parecia mais um bando armado de famintos e maltrapilhos. Realmente as tropas de Junot chegaram pessimamente equipadas e em míseras condições.

Não teria sido muito difícil a sua expulsão, ou pelo menos detê-las, com um bom corpo de tropas portuguesas. Mas a coisa não se cifra somente nessa solução simplista, e rápida. Antes de mais nada é preciso não esquecer a influência sombria das intrigas que tudo ocultaram até o último momento e o papel preponderante duma traição sem nome como outra maior não registra a história portuguesa. Não esqueçamos também que ao tempo Portugal dispunha de parcos meios militares para uma resistência eficiente – tão esgotado saíra das últimas campanhas. Revelou-se igualmente que as defesas, praças de guerra, fortes e outros mais recursos estratégicos andavam descurados e pouco aptos para sustentar um assédio em regra. Ocorre além disso que as poucas tropas disponíveis foram deslocadas para a orla marítima na suposição de que o perigo estava no mar. Enquanto isso o país ficava aberto à invasão. Aqui se descobre o papel traiçoeiro do partido francês a quem se deve a criação dessa mentalidade anti-britânica – e ao qual não foi estranha essa manobra de desproteger as fronteiras e os interiores.

D. Rodrigo de Sousa Coutinho – chefe do partido inglês com quem estava o bom senso naquela hora em largos traços bosquejou no seu mencionado parecer, o estado lamentável do país para opor-se a uma invasão: “a redução das forças militares de V. A . Real, o estado indefeso das suas fronteiras, tal qual existia na última guerra, nem intimida os inimigos de V. A . Real , a falta de suficiente socorros da parte dos aliados de V. A . Real nem pode inspirar confiança de uma resistência durável, maiormente achando-se terminada a guerra no continente a havendo a França tantas forças disponíveis para subjugar Portugal e com ele a Espanha, que creio que ainda não divisa que o jogo se faz por tabela”.

Acontece ainda o seguinte: D. João podia talvez reagir com êxito naquela hora. Podia mesmo Ter expulso Junot e seus comandados. Mas, não nos esqueçamos nunca que por traz deste velava o grande exército imperial.

Por traz daqueles míseros que entravam em Lisboa estava em guarda o famosos e invencível exército do Bonaparte coroado. Rechaçado Junot, outros marechais afluiriam depois e sempre mais terríveis. O problema aqui não era vencer somente Junot. Depois dele viriam, como vieram, tropas descansadas e que já tinham batido os maiores cabos de guerra da Europa da época. Soult, Massena, um dia talariam impiediosamente o velho reino. Outros mais poderosos haviam perdido … Áustria, Rússia, Prussia …

O próprio império de Santo André não trepidara em seguir uma tática semelhante à de D. João: vencer o inimigo pelo cansaço sem oferecer nunca uma batalha decisiva … a tática de vásio, dum recuar sempre … Tática que culminou com aquele supremo logro qual o de entregar a um exército esfaimado, esgotado, fustigado por um inverno cruel, uma cidade deserta: Moscou em chamas. A tática que deu a vitória das gélidas estepes intermináveis. Se assim procedia uma grande potência que desaire havia para Portugal em oferecer a mesma estratégia do vazio, do recuo? A conquista de Portugal estava decidida – era um plano do Imperador. Ela tinha que ser feita embora fosse necessário ocupar todo o grande exército para subjugar aquele reinosinho renitente. Aqui se tratava duma conquista também ideológica. Era necessário destruir os velhos tronos europeus, matar os velhos reis o princípio tradicional das monarquias anti-revolucionárias, sufocar as velhas realezas do direito divino, acabar com os Reis pela graça de Deus. Era a luta ideológica entre a Realeza legítima e a usurpada, a napoleônica. Entre a Tradição e a Revolução. Bonaparte precisava ter em Lisboa o mesmo que em outras capitais européias, um simulacro de monarquia, um irmão, um protegido, um sargentão qualquer feito rei. Por isso a conquista de Portugal era passo decidido, tinha que ser feita. D. João reconheceu publicamente que as tropas marchavam especialmente contra sua pessoa. Visavam a ele (41). De fato Junot em sua proclamação ao entrar em Lisboa deixou perceber esse seu primordial intento (42).

D. João a despeito de todas as oscilações, de todas as dúvidas, de todas as traições e pérfidas, no fundo viu sempre com bom senso qual o caminho a seguir. No fundo ele pensou sempre no antigo plano que formava uma herança histórica da política de sua Casa. Aguardava porém um momento oportuno oferecendo por sua vez uma reserva que desconcertou os traidores e por fim lhes inutilizou os danados intentos. Desde outubro fora assinada com a Inglaterra uma convenção secreta acerca da trasladação eventual da Casa de Bragança para o Brasil. Em novembro essa convenção foi ratificada sob o maior sigilo. E por isso é que Strangford mesmo depois de toda aquela encenação de pedido de passaportes, retirada de insígnias da fachada da embaixada, embarque num navio da esquadra da embaixada etc. etc. não desanimou nunca de realizar as diretrizes do gabinete inglês a esse respeito. É o próprio Stangforf quem afirma isso num oficio.

Certo é que a crise atingiu o seu clímax. Portugal achava-se virtualmente entre dois inimigos, um já cruzara a fronteira e avançava a passos largos, com promessas enganosas para deter o Príncipe Regente realizando o sombrio plano de aprisionamento da dinastia portuguesa. O outro bordejava nas suas costa podendo dum momento para o outro operar um desembarque ou proteger a retirada na hipótese do gabinete lisboeta aquiescer às suas propostas. Chegara o minuto decisivo. Impossível a resistência, imprudente uma guerra com a Inglaterra. Lucidamente escreveu Handelmann: “assim não restava escolha chegava o memento em que a casa real de Bragança tinha que pensar no testamento político de seus antepassado D. João IV e obedecer-lhe”(43). D. João Príncipe Regente, ia por em prática aquele secular projeto. Ia assumir a responsabilidade da sua materialização e correr os riscos.

Aqui cabem ainda algumas observações acerca daquela traição aludida por Caning e que o Correio Brasiliense denunciou com todas as letras.

Não nos é dado dizer nenhuma novidade nem dar ao assunto o desenvolvimento a que ele tem direito pela sua complexidade e pelo esclarecimento que isto traz.

Já o mestre Sardinha sobejamente estudou esse pormenor da retirada para o Brasil.

Basta lembrar a atuação antipatriótica do partido francês dirigido por António Araújo, ministro de Estado e francofilo exagerado. Esse partido preconizou sempre a aquiescência às exigências francesas e o empenho que até a última demonstrou em que o Príncipe Regente mão se retirasse do país sonegando-lhe mesmo as noticias mais graves como as de se encontrar Junot já em território português. São evidentes as ligações de futuro Conde da Barca com Junot. A correspondência deste último – enfeixada no seu copiador – demonstra à sociedade as suas manobras em comum. São demasiadas escusas aquelas manobras do misterioso Hermann junto a Araújo. Hermann chegou apressadamente a Lisboa para dissuadir o Regente de qualquer viagem. Felizmente nada se conseguiu. Não soam bem, ou, pelo menos não são muito claras aquelas palavras de Araújo a Herman “ que tout etait perdu “ (44). Não deixa também de ser inexplicável a atitude dos embaixadores portugueses em Paris e Madride. Ambos, D. Lourenço de Lima e o Conde da Ega apareceram intempestivamente em Lisboa sem autorização para se afastarem dos seus postos e sem terem sido chamados. Em chegando se puseram a executar uma curiosa inversão de papeis. Pareciam que os dois eram antes embaixadores daquelas potências, de tal maneira esqueceram os deveres mais rudimentares para com seu país. Disse melo Morais que ambos cuidavam mais dos interesses dos governos junto aos quais eram acreditados do que dos de seu país – “ou antes sacrificavam estes àqueles”(45). Aliás a intriga e a traição vinham de longe. Todos os que estudaram o assunto notaram as sucessivas oscilações que sofreu o projeto de embarque. Primeiro cogitou-se da viagem do Príncipe da Beira, depois da do Regente, outra vez o Príncipe da Beira, mais uma vez de toda a família, logo mais esse recurso ficava relegado para um plano do esquecimento, de mal recomendado e nada bem visto. Parece mesmo que o próprio Tomás Vila Nova andou uns dias antipatizado por causa do seu conhecido pensamento nessa matéria. Narra Melo Morais que as intrigas atingiram um extremo tal que “o príncipe regente chegou a dizer a Anadia que não cuidasse da esquadra; porém esse ministro respondeu que obedecia às ordens de S. A . Real, porém foi tão honrado, que conhecendo o estado das coisas, e as intrigas continuam nos preparativos indo ele todos os dias ao arsenal”(46). Homens como esse é que valeram D. João na hora precisa. Nada opuseram à sua vontade ostensiva, mas secretamente foram fazendo os preparativos. D. João por fim conheceu toda a trama e fez de viva voz aquela significativa recomendação ao visconde do Rio Seco (47). Não fosse o Príncipe tão decidido naqueles transes e “tout état perdu” não para Junot e sim para os meus. Aliás até à ultima hora verificaram-se impedimentos e obstáculos. O próprio Strangford no momento crítico em que a Realeza se encontrava à mercê da esquadra inglesa, meteu-se a fazer diplomacia por sua conta e a querer extorquir condições que um sisudo autor reputava de “interesseiras e insuportáveis”” (48).

O nosso objetivo reportando-nos a essas intrigas secretamente pelo partido francês é explicar porque embarque de tanta importância se resolveu em tão pouco tempo. Também aqui a história liberal andou pintando as suas … Não raro cenógrafos perdidos na história tentaram fazer do embarque uma autêntica fuga. Descrevendo grotescamente os seus pormenores apresentando a Realeza como uns manipanços que espavoridos procuravam refúgio seguro, acompanhados da nobreza acovardada, carregando para bordo jóias, dinheiro, alfaias, bens, móveis, erário público, tudo que pudesse ser carregado. Além da fuga o saque. Procedia-se a uma rigorosa limpa. O povo não sabia quem era o maior inimigo se o Bragança fujão se os franceses que traziam tão lindas promessas. Esses cenógrafos descrevem até a fúria com que o povo assistia a deserção da Realeza, vendo, impotente escaparem aqueles que com ele deviam partilhar as agruras duma invasão. Esses cenógrafos feitos historiadores são a mais daninha prega, que costuma periodicamente assaltar as funções da história honesta …

 

Não houve fuga nem afobamento. A esquadra vinha sendo preparada de longa data pois doutra maneira não se explicaria que apenas dentro de 2 ou 3 dias pudesse abrir velas. Muito menos se explica que o próprio Estado, com seus arquivos, repartições e funcionários, fosse transportado para bordo com tão poucas horas de antecedência. Naquele dia embarcou-se um Estado com todo o seu aparato. Por isso ensina Calógeras:  “que melhor prova exigir da previsão do longo preparo, e da observância das ordens mais minudentes para organizar o plano de transferencia”. Quando muito podia ser, devido à traição interna e à urgência com que se tinha de operar, “a execução deplorável de um plano político e internacional, previamente discutido e fixado, em todos os seus detalhes, após madura ponderação de todos os seus aspectos”(49). Oliveira Lima, o monumental historiador de D. João, lembra também que preparação antecipada houvera “nem de outra forma se explica que tivesse havido tempo, numa terra clássica de imprevidência e morosidade, para depois do anúncio da entrada das tropas francesas no território nacional, embarcar numa esquadra de oito naus quatro fragatas três brigue, uma escuna e quantidade de charruas e outros navios mercantes, uma corte inteira, com suas alfaias, baixelas, quadros livros e jóias … que mesmo com a maior rapidez de processos de hoje não se enfardavam e carregavam de um momento para o outro”(50). Na transmigração para o Brasil tudo estava de antemão preparado. Aguardava-se somente o momento próprio. A sua execução não era de todo desconhecida do círculo diplomático, acreditado em Lisboa (51).

Somente o decreto é que foi lavrado no dia – tudo mais só se esperava a palavra de ordem do Regente. Acontece apenas que em face da traição interna essa medida não podia ser anunciada publicamente aos quatro ventos com toda a antecedência. Na hora precisa é que ela se fez pública. A história liberal porém não quer saber da verdade. São lhe suficiente as imaginosas reconstituições que os seus cenógrafos preparam.

Há infelizmente um outro ponto não poupado pela história do partido. Segundo ela podia D. João ter apenas metido-se na esquadra e ficado a velejar à vista da costa ou quando muito ir para uma ilha próxima. Isso de correr para o Brasil era medo demasiado. Aqui tem a palavra o Sr. Luiz Soriano – que não é dos mais exaltados – “a nação inteira viu, mau grado seu, que o governo, em vez de se abrigar a qualquer ilha do Atlântico, se tinha deixado arrastar pelos insidiosos conselhos ingleses, indo transformar os sertões do Brasil em largos campos de ruína para este reino e levantar lá todo o edifício da futura independência daquele Estado” (52). A essa inábil objeção respondeu implicitamente Oliveira Lima quando escreveu: “Retirar-se o Príncipe Regente para bordo da esquadra portuguesa ou britânica e daí contemplar o desenrolar dos acontecimentos não resolveria absolutamente o problema que as circunstancias da Europa convulsa lhe tinha criado. Cada nova invasão do Reino – e foram três – daria origem a uma nova retirada, que já seria uma fuga, e entretanto o Brasil se anarquizaria, sem governo que o fosse e sem razão determinante para do seu seio brotar um governo próprio. D. João fez pois a única coisa que podia e devia fazer”(53). Ir para uma ilha também não era inteligente. Que recursos poderia lá encontrar, para uma reação? Onde os elementos para a criação dum grande império? Onde mesmo recursos para sustentar o próprio aparelho administrativo? (54) Mesmo uma ilha, Madeira ou Terceira ainda estava ao alcance dos franceses. O lugar indicado, pela sua importância crescente, pelos seus recursos naturais, pelas possibilidades que oferecia em converter-se num grande império, pela sua preponderância na economia da metrópole era sem dúvida nenhuma o Brasil. Durante as centúrias que durou a gestação do projeto, o Brasil foi sempre o lugar escolhido para abrigar qualquer emigração de pessoa real ou do próprio trono. Cada dia era mais crescente a importância da Colônia Americana e mais influente na vida portuguesa. Para isso não fique somente em palavras vamos dar alguns dados estatísticos mencionados por Pereira da Silva, que se baseou no trabalho de Adrien Balbi – (cuja documentação foi toda colhida em dados oficiais). No ano de 1806 – anterior ao de emigração – Portugal recebeu das colônias – 16.103:966$250 e enviou para elas … 11.314:313$544. Ora nessas cifras estão incluídas todas as colônias – pois bem, somente o Brasil exportou naquele ano, para a metrópole, 14.153:725$691 e importou 8.426:097$899 (55). Quanto à contribuição liquida proveniente dos impostos o Brasil batia qualquer outra província ultramarina (56). Conhece-se assim, conclui P. da Silva – a parte que cabia à possessão americana, que já ombreava com a metrópole (57). O Sr. Pedro Calmon – naquele estilo rendilhado, deliciosamente suave que lhe é tão próprio – fez sociologicamente a análise dessa incontida projeção que o Brasil aos poucos foi assumindo na metrópole chegando mesmo a se criar nela uma espécie de pensamento, de política brasileira. Antes de transcrever as palavras daquele nosso historiador  e sociólogo, lembremos o carinhoso cuidado com que o benemérito Conselho Ultramarino resolvia os problemas brasileiros e com que meticuloso exame estudava os negócios desta província do ultramar. Lembremos também como nele eram ouvidas as nossas queixas e como nele se indagavam dos nossos interesses fazendo muitas vezes subir a presença de el-rei pareceres e votos impregnados de bom senso e duma inteligente política americana, pareceres muitas vezes contra a opinião do próprio Rei e não raro contra abusos oficiais. Esse Conselho Ultramarino merece de nós a mais simpática referência e devemos sempre render-lhe pelas suas boas intenções e obras uma homenagem justiceira.

Além do Conselho dos negócios do ultramar influíram nessa orientação, nessa política brasileira da metrópole numerosos brasileiros que exerciam na administração pública funções de realce.

Leiamos porém o que escrever o fino biógrafo do “Rei do Brasil” … “Lisboa se abrasileira como se respirasse o ar quente dos trópicos. Toma insensivelmente a cor da terra que a enriquece. Era natural que a opulenta possessão impressionasse a mãe pátria decadente. Portugal repovoa-se de portugueses que fizeram fortuna na América, funcionários e militares repatriados estudantes e clérigos que transportaram, de torna-viagem, as usanças brasileiras; a reação é sutil; mas a transformação é rápida ! Lisboa muda-se em cidade intermediária entre Europa e o Equador … as cantigas, a música, a dama do Brasil invadem o país”(58). Eis um curiosos fenômeno sociológico de inversão de influência. A metrópole é que passa a adotar costumes e hábitos da sua colônia.

Numa palavra Portugal estava se abrasileirando – na economia, na política e na sociedade. Prossegue P. Calmon na sua exposição: “industrias, comercio, ordens religiosas, a nobreza de Portugal dependiam dos rendimentos coloniais; do Brasil saía o melhor quinhão do orçamento, a moeda circulante, o grosso da exportação. Desde o reinado de D. João V a administração portuguesa realizava prodígios para defender, organizar policiar, contentar o corrigir a colônia que tão exageradamente crescera. Tornara-se na corte, idéia fixa, que a rainha Luiza de Guzman transmitira aos descendentes, a do asilo do Brasil em caso de invasão estrangeira, e da mudança do Estado à iminência de uma guerra, a da transmigração como um recurso heróico. E menos para assegurar a monarquia do que para prender o Brasil – onde a raça e a pátria se renovavam, Portugal aquece-se ao seu sol tropical apartado da Europa pelo seu destino marítimo, batizado pela ameaça castelhana, com o pé na ponte da nau, para embarcar ao primeiro sinal, como uma nação que se não sentisse bem em terra.

O terremoto de 1755 influiu para essa aparência de instabilidade, para esse mal estar indistinto, para essa inquietação de um povo agarrado a sua nesga fértil do continente, mas com a alma transportada para duas mil léguas além, onde o Brasil engendrara a sua civilização mestiça”(59).

Ir para as Índias distantes ou para a África tórrida não seria inteligente. Essas outras partes do domínio ultramarino tinha muito pouco dum Portugal do ultramar. O brasil não, esse era como que uma continuidade, uma projeção americana da casa portuguesa. O Regente indo para lá continuava em Portugal, até juridicamente não transpunha as fronteiras do Reino, pois dentro do Império onde ele estivesse aí seria a sede, a metrópole da administração, o centro político. Ir para o Brasil era espiritualmente, econômica e sociológica e politicamente continuar em Portugal – o Brasil era só um Portugal maior e do outro lado do mar. Lapidarmente escreveu o articulista da “A Dinastia e a Revolução de Setembro”: “ Se a casa de Bragança não tivesse o Brasil em 1807, em vão hoje na Europa se buscaria o trono português”(60). Não era nenhuma novidade na Europa de então – como não o é na Europa de hoje (61) o deslocamento do centro político, da sede de governo de um país, por força da imperiosas circunstâncias da guerra. Não era o Regente de Portugal o primeiro que se retirara ante a avalanche que a revolução coroada estava provocando no mundo. Outros mais poderosos já o tinham feito e com muito menos honra e felicidade. Em Londres – esse hotel de exilados pela guerra – estava já o Stathouder da Holanda. Havia reis sobrando na Europa – velhas  e respeitáveis dinastias que os Bonapartes substituíam. Havia uma verdadeira razzia de tronos. Os Reis das Sicílias, Parmas, Toscana, o Doge de Veneza estavam ofuscados pelo novo sol que se levantava. “A Sta. Sé, a Áustria, a Rússia, trêmulas, vacilantes, quase servis ante o vencedor de Austerlitz”(62). Mais tarde as Majestades Católicas se atirariam nos braços do Imperador – a majestade revolucionária – escrevendo aquela triste história do cativeiro de Valancay. Somente os Braganças escaparam desta liquidação forçada de tronos e de dinastias. Não houvesse outros resultados positivos da retirada esse era já bastante para justificar o ato de Clemente. Esse simples deslocamento de centro político, transtornou os planos de muitos gabinetes e arredou o imperialismo de outros.

Antes do mais cortou as pretensões do aliado britânico, conservando a integridade do Império e salvando o Brasil. Pôs termo também às veleidades espanholas. Os espanhóis avançariam sem dúvida nenhuma nas possessões americanas logo que Portugal estivesse reduzido à discreção pelos franceses. E no fundo o segredo do seu jogo político com a França contra seu aliado natural foi todo orientado por essas cogitações de política americana. Para a Espanha era assas conveniente que o vizinho fosse empolgado por um invasor pois só assim a integridade do seu império poderia ser comprometida. E esses planos espanhóis não são mera hipótese, chegaram a se esboçar concretamente com a invasão do sul do Brasil por tropas platina. Plano esse que se denunciavam através dos sonhos nada modestos de D. Pedro Cevallos … (63).

Igualmente D. João passando-se para o Brasil armou-se de fortes trunfos para uma futura jogada com a Espanha … Se esta se comportasse mal na Europa incomodando o seu vizinho D. João muito simplesmente avançava no Vice-Reinado do Prata sem grande cerimônia … E a história liberal ainda teima em pintar esse manhoso Rei como um imbecil desprovido de inteligência … Com o trono assentado no grande império americano sentia-se D. João mais independente, mais livre e mais à vontade para discutir em futuros congressos de paz geral. Era agora o monarca europeu mais independente. Há mais ainda: frustou o programa de Napoleão. Também este tinha as suas veleidades para com o Brasil – possivelmente para daí fazer ponto de apoio para uma conquista sul americana e possivelmente para ferir o imperialismo mercantil inglês e estreitar o bloqueio.

A ocupação do Brasil e vale dizer a posse de toda esta banda da América significava um grande golpe nas rotas inglesas, no seu domínio marítimo. Leiamos essas eloqüentes palavras tiradas duma obra editada em 1809: “ He notoriamente público que os Generais Kellerman, Labord e Loysson trazião patentes de governadores do Rio de Janeiro, Baía e Maranhão para onde deviam passar na Esquadra Portuguesa auxiliada pela Esquadra Russa, que entrou no Porto de Lisboa no dia 9, 11 e 12 de Novembro de 1807, servindo-se como he de supor, da mesma traição, com que obteve à cedência dos Reinos da Espanha”(64). Não é difícil compreender, assim, o quanto D. João contrariou os planos franceses. E somente assim se explica que Junot escrevesse ao seu amo que “tout était perdu”.

A retirada para o Brasil além do mais salvou a independência portuguesa e possibilitou uma reação oportuna da consciência nacional portuguesa. Na península a derrota francesa não seria apenas um fracasso militar, mas sobretudo ideológica seria a vitória de uma consciência nacional contra a revolução. Na península travou-se a guerra entre a nação por intermédio do povo e a ideologia que o exército invasor representava. Das monarquia européias uma houve, a de Bragança, que sem sair de seus domínios, pode escapar aso destino das demais e resguardar o princípio dinástico. Luiz Norton escreveu que à transferência para o Brasil “se deve naturalmente a sobrevivência da nacionalidade portuguesa, diferenciada e salva da revoluta e absorvente doutrina de Bonaparte”(65).qual seria a sorte de Portugal se depois da paz geral chegasse a qualquer Congresso reduzido `penas à sua faixa européia? Possivelmente ninguém lhe prestaria atenção tão pouco se preocupariam as potências com a devolução das suas colônias. Quem sabe se a Espanha não realizaria o seu projeto de incorporar o vizinho? Essas afirmações fundamentam-se numa experiência histórica de todos conhecida e portanto não se trata de mera hipóteses.

Leiamos este trecho do autor de La Formation de la Nacionalité Bresiliene: En mettan l’Océan – et un quelle étendue ! – entre lui et le plus grand des conquérants le souverain portugais agit d’accord non seulement avéc les régles de la plus élémentaire prudence, du moment que les moyens lui manquaiente de s’opposer à l’invason, masi selon les conseils d’une politique avisée puisqui’il échappa, seul parmi les têtes couronées de ‘Europe, au traitement humiliant que l’empereur tenait habituallment en ré serve pour les vielles dynasties, les monarchies du droit divin. Et, en plus de cela, il maintint, intact l’autonomie et l’intégrité de ses domaines raison d’être de sa royauté; ne cessa point d’être un facteur non négligeable dons les affaires du continent qui’il avait desértr pour un plus vaste scéne”(66). Vamos pois concluir com aquele expressivo julgamento de Oliveira Lima: … “é muito mais justo considerar a transladação da corte para o Rio de Janeiro como uma inteligente e feliz manobra política do que como uma deserção cobarde”(67).

De toda essa longa exposição podem ser tiradas 3 conclusões:

1º ) – A transladação para o Brasil fazia parte como que duma herança política da monarquia e por conseqüência não foi improvisada pelo terror de 1807.

2º ) – Em 1807 Portugal não podia romper com a Inglaterra – correndo o Império Ultramarino o risco de ser posto a saque por ingleses e espanhóis – nem resistir a uma invasão francesa – em virtude da sua posição interna, e por força do poderio napoleônico. Logo a retirada para o Brasil era a única solução que se impunha naquela hora.

3º ) – Além de garantir a integridade do Império detendo o imperialismo inglês pela aliança do momento e as veleidades espanholas no Prata em virtude duma posição de mais forte – a monarquia portuguesa evitou que o imperialismo neoplatônico se realizasse completamente e provocou uma reação nacional anti-francesa (68).  

    

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 Notas

 

 

(1)     = Ao ritmo da ampulheta, capítulo a Retirada para o Brasil publicado na revista Tradição (Recife) n.º 8, dezembro de 1938.

(2)    = J. P. Oliveira Martins, História de Portugal, II, 232. 3º edição, Lisboa, Liv. Bertrad, 1882. O incidente descrito pitorescamente pelo Michelet português parece mais criação imaginosa que um fato realmente ocorrido. A rainha louca não era a acreditar no que afirma Melo Morais, contrária à adoção da retirada para o Brasil como medida extrema. Escreveu M. Morais: “O Príncipe Regente que não querendo fazer sair seus filhos, sem participar a rainha sua mãe, o fez, dando-lhe os motivos, que a isso obrigavam e S. M. ouvindo atentamente, a exposição dos acontecimentos, e estado dos negócios circunstâncias e pareceres, que haviam respondeu ao filho: e tuas tias que ficarão aqui fazendo? Ou vamos todos, ou não vái ninguém: como se escreveu ultimamente para à França, espere-se pela resposta, e segundo o que vier disporás a jornada”. História da Transladação p. 53 – Daí conclui-se que o pensamento da Rainha era o mesmo que o de seu filho e de muitos membros do gabinete.

(3)    = J. Pandiá Calógeras, Formação Histórica do Brasil p. 74. Ed. Cia. Editora Nacional. Coleção Brasiliana. V. 42.

(4)     – Idem, ob., cit., p, 74. Parece que o plano do grande governador era estimular, com a régia presença, o desenvolvimento da jovem colônia. De relance escreve Luís Norton, “A Corte de Portugal no Brasil”. p, 18: “Martim Afonso de Souza, organizador da colonização sistemática do Brasil, teria sido um dos primeiros a aconselhar a transmigração da Família Real para a América do Sul, revelando a D. João III a extensão dos seus domínios neste continente e o valor prodigioso das riquezas que nele se encontravam profusamente distribuídas”

(5)    ) – Dr. A . J. Melo Morais História da Transladação da Corte Portuguesa para o Brasil em 1807 – 1808 p, 13 Ed. 1872. Rio

(6)    ) – Ob. cit. p, 74

(7)    ) – H. Handelmann, História do Brasil, pg, 725. Tradução e edição do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

(8)    ) – Ob. cit. pp., 19 – 20. A escolha do Recife para cabeça do Império, para sede da Monarquia, justificava-se não só em virtude da importância que Pernambuco veio assumir com a expulsão dos holandeses como pela posição geográfica da sua capital situada na rota das grandes estradas marítimas.

(9)    ) – Melo Morais, ob. cit. p, 20.

(10)  ) – a propósito desse plano e de outros semelhantes , informa Tobias Monteiro, História do Império, Elaboração da Independência (ed. F. Briget e Cia., Rio 1927) pp. 46-7 “quando Luiz XIV casou uma filha de Felipe IV da Espanha e declarou já não haver Pirineus, receou-se a divisão de Portugal entre aqueles dois soberanos conquistadores. Então o Pe. António Vieira aconselhou a passagem da sede da Monarquia para o Brasil. era ainda corrente que Alexandre de Gusmão dera a mesma idéia a D. João V e D. José chegara a ter a esquadra pronta para atravessar o oceano em 1762, quando Portugal foi invadido por dois exércitos, de França e Espanha”. Mais tarde Silvestre Pinheiro, ministro de D. João VI, reconhecerá o fundamento dos conselhos daqueles estadistas “sustentando a opinião, escreve Tobias Monteiro, de não restar à Coroa outro recurso “senão o de procurar quanto antes nas suas colônias um asilo contra a hidra nascente, que jurava a inteira destruição das monarquias da Europa”.

(11)   ) – Essa memória é largamente transcrita por Melo Morais, ob. cit. pp. 13-19, e por Southey, História do Brasil T. V. 382.

(12)  ) – Conselheiro J. M. Pereira da Silva, História da Fundação do Império Brasileiro, I, 108. Ed. De 1864.

(13)  ) – in Melo Morais, ob. cit. p, 13.

(14)  ) – Justificadamente escreveu Pereira da Silva, ob. cit. , “não era nova a idéia apresentada por Lorde Strangford, de transferir-se a sede da Monarquia para a Colônia do Brasil, e de lá espreitar-se os acontecimentos da Europa durante as épocas de crise .nem fora imaginada por estadistas ingleses na intenção de proteger e salvar a autonomia do povo português” . ainda o mesmo historiador notícia que no reinado de Afonso V houve negociações entre o governo espanhol e português acerca de transferência da Corte. A proposta do governo espanhol se resumia em receber “como seu o território português da Europa, e reconhecendo a legitimidade da casa de Bragança sobre a colônia americana, para onde transferindo-se, continuaria a monarquia portuguesa”. Pereira da Silva, ob. cit. I 108.

(15)  ) – V. Tobias Monteiro ob. cit. p. 47 cf. igualmente Warden, “Histoire de L’Empire du Brésil” etc…, Tomo II, p. 132. Warden escreve : “Vauban avit suggeré à Phelippe V la translation de la Cour au Brésil, aprés la levée au Siége de Barcelone” cit. por Luís Norton, ob. cit., p, 20,in nota.

(16)  ) – Tobias Monteiro, ob. cit. p. 47

(17)  Varbhagem ( Visc, Porto Seguro) História Geral do Brasil IV. 420 Ed. Cia. Melhoramentos S. Paulo. Anotada por Capistrano e R. Garcia.

(18)  ) – Idem. Ob. cit. IV, 399

(19)  ) – Nota de Garcia a Varnhagem, ob. cit. IV p. 420

(20)) – Varnhagem, ob. cit. V. p. 15 Do plano desse anônimo arbitrista diz Varnhagem “Sem pretender primar pelo estilo e locução, sustenta, com bastante clareza, o princípio de que, com o aumento e maior riqueza da povoação, se engrandecem os estados, propõe que, transferindo-se ao Brasil a Corte, afim de ficar até mais independente das convulsões da Europa, se admitissem colonos de todas as nações e todas as religiões, e propõe razoáveis planos de conquista para o Sul, de sementeiras de bosques por essas bandas, e o estabelecimento de companhias de melhoramento da indústria, elaboração das minas etc.” p. 16 V

(21)  ) – Melo Morais, ob. cit. p. 12.

(22)) – Carta mencionada por L. Norton, ob. cit. pp. 15-16.

(23)) – Melo Morais, ob. cit. pp 45-46.

(24)) – É preciso não esquecer as palavras de Napoleão na entrevista ao embaixador português em Paris, D. Lourenço de Lima. V. Melo Morais, ob. cit. p 51.

(25)) – Pinheiro Chagas, História de Portugal, XI, p. 296.

(26)) – João Amaral e Rodrigues Cavalheiro Erratas à História de Portugal, p. 256. Liv. Tavares Martins, Porto 1940.

(27)) – Melo Morais – ob. cit. p. 28 e seguintes.

(28)) – Trecho citado por Tobias Monteiro, ob. cit. p. 53 e igualmente por Melo Morais, ob. cit. pp 28 e seguintes, embora a tradução varie um pouco o sentido é o mesmo em ambas as fontes.

(29)) – Melo Morais, ob. cit. p. 28.

(30)) – Idem, Idem, p. 25

(31)  ) – Oliveira Lima, D. João VI no Brasil, p. 58.

(32)) – Tobias Monteiro, ob. cit. p. 27.

(33)) – Convém não esquecer as suas tentativas em 1806 – contra Buenos Aires.

(34)) – Ob. cit. p. 24

(35)) – Não é custoso supor o que teria acontecido na hipótese de Portugal recuar-se a entregar a sua esquadra  o bombardeio de Copenhague é um índice da decisão e realismo frio da política inglesa. As notas de Strangford são claras nesse sentido. Diz Tobias Monteiro, ob. cit. p. 5, que das instruções dadas por Fox constava a recomendação de utilizar a força para impedir que os navios portugueses caíssem nas mãos dos franceses.

(36)) – Nota citada por Tobias Monteiro, ob. cit. 24.

(37)) – Transcrito por Melo Morais, ob. cit. pp. 25 – 47 in nota.

(38)) – J. Ameal, História de Portugal, p. 570

(39)) – Oliveira Martins, História de Portugal, II, 237 Pinheiro Chagas, ob. cit. XI, 296, resumiu este dilema nos seguintes períodos: “se toma partido da Inglaterra, é invadido pela França o seu território continental; se toma partido da França, a Inglaterra apodera-se-lhe das colônias.”

(40)) – V. Pinheiro Chagas, ob. cit.

(41)  ) – A proclamação do Regente dizia que as tropas marchavam “muito particularmente contra a Minha Real Pessoa”.

(42)) – O manifesto de Junot aos habitantes de Lisboa confirmava a afirmativa do Regente:  “Mon armée va entrar dans vos murs. Elle y venait sauve votre port et votre Prince (grifos nossos) de l’influence de l’Anglaterre” ( Varnhegem ob. cit. V 63) além disso é sabido que Napoleão recomendara: nada conceder ao Príncipe do Brasil, mesmo que ele se prometa a fazer guerra à Inglaterra…

(43)) – ob. cit. p. 725

(44)) – V. capítulo “O Copiador de Junot – “ in Ao Princípio era o Verbo. A Sardinha, Ed. Gama. Lisboa.

(45)) – Ob. cit. p. 53

(46)) – M. Morais Ob. cit. 50

(47)D. João conhecendo a traição que ameaçava tudo perder deu de viva voz, ao Visconde do Rio Seco instruções muito reservadas prevenindo – o de que não estivesse por ordem de ninguém.

(48)) – Entre outras condições exigia o representante inglês “a abertura dos portos do Brasil, a concorrência livre e reservada à Inglaterra, marcando-lhe logo, uma tarifa de direitos insignificantes, e até que um dos portos do Brasil fosse logo entregue à Inglaterra”. Melo Morais ob. cit. p. 59.

(49)) – Ob. cit. p. 74.

(50)) – Oliveira Lima, ob. cit. p. 47. Basta lembrar que toda a régia prataria cinzelada pelos Germain e os milhares de volumes da Biblioteca Barbosa Machado – foram encaixotados sem nada se perder. Ora tal coordenação de pormenores não é próprio de quem foge …

(51)  ) – Depois de salientar que “era opinião corrente em Lisboa que se o inimigo se aproximasse da fronteira, o Príncipe Regente abandonaria o país “refere Tobias Monteiro, ob. cit. p. 22, os seguintes fatos: “a 25 de setembro o ministro americano considerava muito rigoroso o segredo guardado pelo Governo acerca do estado dos negócios e das medidas a tomar; mas no dia 27 já se dizia informado de estar deliberada a partida para o Brasil, no caso do exército francês invadir o país. O encarregado de negócios da Suécia sabia desde o começo do mês que a idéia da retirada para a América ganhava terreno cada dia e enxergava no apresto dos navios a sua próxima realização; em oficio de 29 dava notícias de uma reunião do Conselho de Estado, celebrado a 23, só restava aquele alvitre”.

(52)) – História do Cerco do Porto, Simão José da Luz Soriano. A Leite Guimarães Editor. Nova edição ilustrada. Porto 1879 T. I, p. 152.

(53)) – Ob. cit. p. 58.

(54)) – É lícito por em dúvida se o Império salvar-se-ia com a simples transmigração da Realeza para uma ilha. Terminaria sendo forçada a vender aos ingleses pedaços do mundo português ultramarino para garantir a própria subsistência.

(55)) – Ob. cit. I, 80.

(56)) – Idem, pp, 84 – 5

(57)) – Idem 80

(58)– História Social do Brasil I ( Espirito da Sociedade colonial) p. 261. Coleção Brasiliana V 40.

(59)) – Idem p. 263.

(60)) – Citado por A Sardinha in “A retirada para o Brasil”, loc. Cit.

(61)  ) – É preciso lembrar que aos Bragança emigrados não acontecia o mesmo que às outras majestades exiladas. Aqueles continuavam, embora ausentes de Lisboa, juridicamente dentro do país pois qualquer ponto do Império fazia parte dum grande todo – e por isso suas funções não sofriam interregno. Ao passo que os outros estavam de fato exilados e sem o poder de exercício. Modernamente para sanar certos inconvenientes jurídicos decorrentes dessa forçada emigração de governos que não dispõe de Império criou-se a ficção de Estado sem território. Para os Braganças não houve necessidade de subverter velhos princípios de Direito Constitucional e Teoria do Estado…

(62)) – João Amaral e Rodrigues Cavalheiro Erratas à História de Portugal. P. 259.

(63)) – V. Handelmann, ob. cit. 678 e seguintes. Lembra este historiador que ainda em 1801 logo que na América do Sul se teve conhecimento da guerra de Espanha e França contra Portugal “limitaram os Estados Coloniais o exemplo das mães-pátrias; uma esquadra espanhola penetrou, pelo Paraguai acima, em Mato Grosso, e bloqueou o forte brasileiro de fronteira Nova Coimbra”” E os platinos não levaram a melhor graças ao valoroso comandante do forte em questão. Manda a honestidade que se diga que nós fizemos as nossas escaramuças contra nossos vizinhos … Isto não impede porém de reconhecer que o imperialismo platino, velho de muito tempo, constituía um perigo permanente para o extremo sul do Brasil..

(64)) – Citação tirada de “Erratas …”p. 269. Não esqueçamos a honrosa lealdade com que a esquadra russa se comportou, negando qualquer auxilio ao logrado Junot. V. Seniavine, Junot e D. João VI estudo de Sérgio Higino in Tradição ( Recife) n.º 22. Afirma fundadamente esse ensaísta que se o monarca pode continuar a “existir juridicamente intacta, no gozo de todas as suas prerrogativas e em pleno funcionamento todas as suas estruturas e subestruturas estatais” deve-se em parte àquela recusa.

(65)) – ob. cit. p. 17.

(66)) – Oliveira Lima, “Formation…” p. 128. Noutro livro escreve o mesmo A .: “Retirando-se para a América o Príncipe Regente, sem afinal perder mais do que o que possuía na Europa, escapava a todas as humilhações sofridas por seus parentes castelhanos, depostos à força, e além de dispor de todas as probabilidades para arredondar à custa da França e da Espanha inimigas e seu território ultramarino, mantinha-se na plenitude dos seus direitos, pretensões e esperanças. Era como que uma ameaça viva e constante a manutenção da integridade do sistema napoleônico. Qualquer negligência, qualquer desagregação seria logo aproveitada”. D. João VI no Brasil, p. 37.

(67)) – Idem, Idem.

(68)) – A Emigração interessou a Europa inteira. Escreve I Norton, ob. cit. p. 17 que ela “asseverava a continuidade dos princípios unitários das monarquias continentais européias; defendia-lhes, afina; os ideais de autonomia contra a concepção autocrática de um só imperialismo francês; salvava o sistema monárquico europeu da subversão dos Estados, cujos soberanos era prisioneiros ou reféns de Napoleão e cujas fronteiras eram por ele e para ele traçadas, ampliadas ou suprimidas, no sonho da Monarquia universal que visionara”.            

Transcrito: em Petrópolis, Agosto de 2.000

Por: Henrique Alberto Silveira Luiz

Motivo: Por muito amor à minha Pátria. Por meu respeito e dedicação à causa Monarquica Portuguesa e Brasileira. Acredito que qualquer pessoa que queira, dentro da realidade e verdade, discutir a História de Portugal e sua – então – colonia Brasil deve conhecer este trabalho.

      

          

 

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